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Petrobras investe R$ 15 milhões em projeto sustentável para comunidades quilombolas

Iniciativa em quatro estados prevê regularização fundiária, geração de renda, energia solar, aquacultura, turismo comunitário e valorização da cultura

Edifício da Petrobras no Rio de Janeiro - 5/6/25 (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes/Arquivo)
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247 – A Petrobras vai investir R$ 15 milhões em ações de desenvolvimento territorial sustentável voltadas a cinco comunidades quilombolas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pará e Amapá. A iniciativa, chamada Projeto Quilombo Sustentável, será realizada em parceria com o Instituto Terroá e terá duração de quatro anos, beneficiando diretamente cerca de 300 pessoas de forma contínua.

As informações foram divulgadas pela Agência Gov. Segundo a Petrobras, o projeto prevê ações de regularização fundiária, geração de renda, preservação ambiental, valorização cultural e fortalecimento da autonomia comunitária. A proposta é estruturar soluções de acordo com as demandas específicas de cada território, com participação direta das próprias comunidades quilombolas.

Desenvolvimento com protagonismo quilombola

O Projeto Quilombo Sustentável foi concebido para integrar saberes tradicionais, preservação ambiental e geração de renda. Em todas as comunidades atendidas, haverá ações de apoio à preservação dos territórios e à obtenção de titulação oficial, uma das principais demandas históricas das populações quilombolas no Brasil.

"A metodologia do Quilombo Sustentável prioriza a participação das comunidades em todas as etapas das ações, desde o diagnóstico até a execução das iniciativas. A ideia é garantir que as soluções desenvolvidas estejam alinhadas à realidade local e contribuam para a geração de renda e o fortalecimento das comunidades", afirmou José Maria Rangel, gerente executivo de Responsabilidade Socioambiental da Petrobras.

A iniciativa está alinhada à estratégia de responsabilidade social da Petrobras e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as frentes previstas estão roças comunitárias, quintais produtivos, produção de pescado, viveiros de mudas, cozinhas comunitárias, beneficiamento de açaí, energia solar, turismo de base comunitária, artesanato e produção de ervas medicinais.

"Com isso, fortalecemos as organizações comunitárias para gerar economias sustentáveis, fomentar a produção e o consumo responsável, além de preservar o meio ambiente", enfatizou José Maria.

São Paulo terá Quilomboteca, roças agroecológicas e turismo de base comunitária

Em São Paulo, o projeto será implantado nos quilombos Sertão de Itamambuca e Caçandoca, ambos localizados em Ubatuba, no litoral norte do estado. Uma das ações previstas é a criação de uma Quilomboteca no quilombo da Caçandoca. O espaço será uma biblioteca especializada em cultura e história quilombola e funcionará como centro de referência para escolas da região.

O projeto também prevê o mapeamento, o enriquecimento e o apoio às roças comunitárias e aos quintais produtivos, com uso de técnicas agroecológicas. Crianças e adolescentes participarão de cursos de surf, integrando esporte, educação ambiental e fortalecimento da coletividade.

No Sertão de Itamambuca, o sistema de aquacultura da comunidade será consolidado. A produção de pescado deverá abastecer a cozinha comunitária e também atrair visitantes, fortalecendo o turismo local.

Outra frente será a ampliação da infraestrutura para o turismo de base comunitária, com a criação de torres para observação de aves. Monitores ambientais receberão formação continuada em temas como primeiros socorros, afroturismo e observação de aves, com o objetivo de qualificar a atuação nas trilhas turísticas da região.

Rio de Janeiro receberá sistema integrado de aquacultura e horta comunitária

No Rio de Janeiro, o Quilombo do Camorim receberá um modelo integrado de aquacultura natural. A produção de pescado poderá ser comercializada pela comunidade, abastecer a cozinha comunitária ou chegar a mercados locais.

O sistema foi planejado para funcionar de forma sustentável: a água do tanque de criação de pescado será usada para nutrir a horta comunitária próxima, criando um ciclo produtivo em que os recursos são reaproveitados.

Os quilombolas também receberão formação prática em implementação, gestão e comercialização. O objetivo é garantir que o conhecimento técnico possa ser replicado em outras localidades e convertido em renda para a comunidade.

O projeto prevê ainda a construção de uma sede da associação comunitária. O espaço funcionará como área multiuso para eventos culturais, recepção de visitantes e reuniões. Oficinas culturais periódicas também serão realizadas para fortalecer a identidade quilombola entre crianças, jovens e adultos.

No Pará, comunidade terá estrutura para ampliar renda com açaí

No Pará, a comunidade quilombola de Laranjituba e África, em Abaetetuba, será beneficiada com a instalação de infraestrutura para transformar a produção de açaí em uma oportunidade de renda ampliada.

Atualmente, segundo as informações divulgadas, o açaí é colhido e vendido in natura ou processado em máquinas artesanais. Com equipamentos modernos e estrutura adequada, a comunidade poderá comercializar o produto com padrões de qualidade capazes de abrir acesso a mercados estaduais e até nacionais.

Também será construída uma sede comunitária com função multiuso. O espaço contará com miniauditório para receber eventos do movimento quilombola, atividades com universidades e iniciativas voltadas à geração de renda.

Outra ação prevista é a implantação de um viveiro de mudas comunitário. A iniciativa será acompanhada de cursos de boas práticas e gestão, para que os quilombolas tenham domínio sobre etapas importantes da cadeia produtiva.

Amapá terá marca coletiva, energia solar e valorização da medicina tradicional

No Amapá, o Kulumbu do Patuazinho, em Oiapoque, será beneficiado com a criação da marca coletiva “Kulumbu do Patuazinho”. A marca será usada para comercializar ervas medicinais, remédios tradicionais e artesanatos produzidos pela comunidade.

Para viabilizar a iniciativa, o Projeto Quilombo Sustentável construirá uma sede comunitária voltada à produção e à comercialização coletiva. A comunidade, que já possui uma cultura ancestral ligada ao uso de ervas medicinais e frutas, receberá formações técnicas para padronizar produtos, garantir qualidade e ampliar canais de venda.

O projeto também realizará um estudo sobre energia solar para identificar as melhores soluções para modernizar a rede elétrica comunitária. A energia poderá auxiliar o abastecimento de água por bombeamento e apoiar as atividades produtivas locais.

O turismo de base comunitária será outra frente de atuação. As festas e celebrações culturais da comunidade serão divulgadas em plataformas de turismo, com o objetivo de atrair visitantes interessados em experiências ligadas à ancestralidade africana. Monitores ambientais também receberão formação para atender visitantes com segurança e qualidade.

Regularização fundiária e economia sustentável como eixos centrais

A regularização fundiária aparece como uma das bases do projeto. A obtenção da titulação oficial dos territórios quilombolas é considerada essencial para garantir segurança jurídica, preservar modos de vida tradicionais e permitir o planejamento de ações de longo prazo.

Ao combinar regularização territorial, fortalecimento produtivo, preservação ambiental e valorização cultural, a iniciativa busca estimular modelos de economia sustentável conduzidos pelas próprias comunidades. A proposta é que as ações não apenas gerem renda, mas também reforcem a autonomia, a memória e a permanência dos quilombolas em seus territórios.

Com investimento de R$ 15 milhões, o Projeto Quilombo Sustentável se insere em uma agenda de responsabilidade socioambiental que articula desenvolvimento local, inclusão produtiva e reconhecimento da importância histórica e cultural das comunidades quilombolas no país.

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