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"A paz é o novo nome do desenvolvimento", diz Celso Amorim em fórum na Rússia

Diplomata criticou guerras, unilateralismo, ameaças ao Sul Global e ataques ao Irã em fórum internacional

"A paz é o novo nome do desenvolvimento", diz Celso Amorim em fórum na Rússia (Foto: ABR)
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247 - O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira (28) que o Brasil seguirá defendendo a paz, o diálogo e a multipolaridade diante do agravamento das tensões globais. As declarações foram feitas durante o 1º Fórum Internacional de Segurança, realizado em Moscou, na Rússia.

Ao longo do discurso, segundo a Sputnik Brasil, Amorim condenou guerras, intervenções externas e políticas unilaterais que, segundo ele, ameaçam países do Sul Global e dificultam o desenvolvimento econômico e social.

“A paz é o novo nome do desenvolvimento”

Durante sua participação no fórum, Amorim retomou uma frase histórica da encíclica Populorum Progressio, do papa Paulo VI, para defender a necessidade de estabilidade internacional.

“O desenvolvimento é o novo nome da paz”, afirmou o assessor especial, antes de atualizar a formulação diante do atual cenário global. “Nos tempos turbulentos em que vivemos, também se poderia dizer que a paz é o novo nome do desenvolvimento.”

Segundo o diplomata, guerras, violações ao Estado de direito e ameaças de escalada militar provocam inflação, rupturas logísticas e aumento no custo de combustíveis e fertilizantes, afetando principalmente os países mais pobres.

Críticas à escalada militar no Oriente Médio

Amorim também demonstrou preocupação com o aumento das tensões no Oriente Médio e condenou ataques militares contra o Irã. “Condenamos fortemente o uso de forças militares contra o Irã”, declarou.

O representante brasileiro ainda mencionou a situação humanitária em Gaza e criticou ações militares no sul do Líbano. Ele citou “as crianças de Gaza”, as aspirações palestinas “por um Estado e dignidade” e classificou como “lamentável” o assassinato de civis libaneses.

Defesa da multipolaridade e do BRICS

Ao abordar o cenário internacional, Amorim afirmou que o Brasil rejeita um mundo baseado no unilateralismo e reforçou a defesa da multipolaridade.

“Um mundo multipolar deve ser um mundo no qual os países exerçam o direito de defender seus interesses nacionais e busquem o desenvolvimento sustentável”, afirmou. Segundo ele, esse princípio orienta a atuação do BRICS e deve servir de referência para a comunidade internacional.

O assessor especial também destacou que o Brasil mantém relações pacíficas com os dez países vizinhos há cerca de 150 anos e seguirá comprometido com soluções diplomáticas e cooperação internacional.

Crime organizado e soberania digital

Na parte do discurso dedicada à América do Sul, Amorim criticou políticas de “pressão máxima” e o uso da força por potências estrangeiras, citando a Venezuela.

O diplomata também comentou o combate ao crime organizado e ressaltou iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, está agindo de forma decisiva para desmantelar as redes criminosas em cooperação com outros países da América do Sul”, afirmou.

Em seguida, defendeu firmeza no enfrentamento ao crime transnacional, mas rejeitou comparações automáticas com terrorismo. “O crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. No entanto, equiparar o crime organizado ao terrorismo não ajuda”, declarou.

Amorim ainda afirmou que o Brasil moderniza sua política de defesa para garantir soberania, inclusive no ambiente digital, e ressaltou a importância da cooperação internacional para enfrentar ameaças cibernéticas.

Encontro com Lavrov reforçou cooperação

Celso Amorim participa do 1º Fórum Internacional de Segurança entre os dias 26 e 29 de maio, em Moscou, principal encontro promovido pelo Conselho de Segurança da Rússia para debates estratégicos.

Na última terça-feira (26), o assessor especial brasileiro se reuniu com o chanceler russo, Sergei Lavrov. Segundo informações divulgadas após o encontro, os dois discutiram a situação no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia, a conjuntura latino-americana e a ampliação da coordenação diplomática entre Brasil e Rússia em fóruns multilaterais como BRICS, ONU e G20.

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