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Aéreas afirmam que alta do querosene pode reduzir voos e rotas no Brasil: "medida tem consequências severas"

Reajuste do querosene de aviação pressiona custos e pode afetar oferta de voos no país

Querosene sobe e passagens aéreas devem 'decolar' (Foto: Rovena Rosa/ABr)

247 - As companhias aéreas afirmam que o aumento no preço do querosene de aviação (QAV) deve provocar impactos relevantes na oferta de voos e na expansão de rotas no Brasil. Nesta quarta-feira (1º), a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou para os efeitos do reajuste sobre a operação do setor.

O aumento de 54,6% no combustível, anunciado pela Petrobras, soma-se a uma alta anterior de 9,4% em vigor desde 1º de março. Com isso, o QAV deve passar a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas aéreas, elevando a pressão sobre as finanças das companhias.

Em nota, a entidade afirmou que “a medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”. As aéreas não detalharam possíveis impactos diretos nos preços das passagens, mas indicaram efeitos estruturais no setor.

Diante do cenário, a Petrobras informou que pretende adotar uma medida para suavizar os efeitos imediatos do reajuste. A estatal anunciou que disponibilizará, até segunda-feira (6), um termo de adesão às distribuidoras, permitindo limitar o aumento pago em abril a 18%. A diferença até o total do reajuste poderá ser parcelada em seis vezes, com início em julho de 2026.

Segundo a empresa, a iniciativa “visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”. As condições finais ainda serão definidas.

A Abear destacou que, embora mais de 80% do combustível consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação segue a paridade internacional. Esse modelo amplia o impacto das oscilações do preço do petróleo no mercado global sobre os custos das companhias no país.

A entidade defende a adoção de mecanismos para reduzir a volatilidade e garantir maior previsibilidade ao setor. “Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam reduzir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações”, afirmou.

O presidente da associação, Juliano Noman, reforçou a urgência de medidas por parte do governo federal. Segundo ele, as ações para conter os efeitos da alta do petróleo sobre o combustível de aviação precisam ser “urgentes”, sob risco de as empresas terem de rever seus planejamentos operacionais.

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