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Agente da PRF que matou namorada já respondia por abuso sexual contra colega de corporação

O agente já respondia a um Processo Administrativo Disciplinar

Dayse Mattos levou cinco tiros após pedir fim do relacionamento (Foto: Reprodução)

247 - O feminicídio da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Matos, de 37 anos, trouxe à tona o histórico disciplinar do principal suspeito do crime, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. O caso foi divulgado pela CNN Brasil e é investigado pelas autoridades do Espírito Santo.

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o agente já respondia a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por tentativa de abuso sexual contra uma colega de trabalho. A denúncia foi registrada em setembro do ano passado, e o procedimento estava em fase final, podendo resultar na demissão do servidor.

A investigação interna era conduzida pela Corregedoria da PRF no Rio de Janeiro, estado onde o policial estava lotado, na delegacia de Campos dos Goytacazes. Diego Oliveira de Souza ingressou na corporação em 2020.Após o crime, circularam nas redes sociais acusações de que a PRF teria sido omissa ao não investigar a denúncia anterior ou ao não afastar o agente e retirar sua arma. Em nota, a instituição negou as alegações e afirmou que adotou medidas administrativas durante a apuração.“A instituição adotou medidas administrativas para manter o distanciamento entre os dois agentes no ambiente de trabalho. A apuração, que poderia resultar em demissão de servidor, está em fase final de conclusão”, informou a PRF.

Sobre a manutenção do armamento com o policial, a corporação explicou que não havia respaldo legal para o recolhimento antes da conclusão do processo disciplinar.O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (23), na residência da vítima, em Vitória. Segundo a Polícia Civil, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e apresentava comportamento descrito como ciumento, possessivo e controlador.

Perícia realizada no local apontou sinais de arrombamento, incluindo danos na porta do quarto. Dentro do cômodo, os agentes encontraram o corpo de Dayse Barbosa. Exames do Instituto Médico Legal (IML) indicaram que ela foi atingida por três disparos de arma de fogo na região da nuca.Ainda na residência, na cozinha, o policial foi encontrado morto. A principal linha de investigação aponta para suicídio após o assassinato da ex-companheira. No imóvel, também foram recolhidos objetos como uma bolsa com ferramentas e uma escada, elementos que reforçam a hipótese de crime premeditado.

A morte da comandante gerou forte comoção. A Prefeitura de Vitória decretou luto oficial de três dias e destacou a trajetória da servidora pública, marcada pelo combate à violência contra a mulher."Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público.", afirmou a administração municipal em nota.

O caso segue sob investigação, enquanto autoridades analisam tanto as circunstâncias do crime quanto eventuais falhas institucionais no acompanhamento do histórico do suspeito.

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