Alckmin homenageia Lewandowski após saída do Ministério da Justiça: 'Admirável espírito público'
Ex-ministro também foi elegiado por Gilmar Mendes, do STF, e por Jorge Messias
247 - O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) usou as redes sociais para prestar uma homenagem pública a Ricardo Lewandowski, que deixou o comando do Ministério da Justiça na semana passada. Na mensagem, o vice-presidente afirmou que a homenagem era feita “em reconhecimento ao seu admirável espírito público e à sua inspiradora lealdade aos valores supremos do Estado Democrático de Direito”.
Em outro trecho do texto, Alckmin ressaltou que o ex-ministro “tem honrado, com grande virtude e fiel desempenho, as mais distintas e elevadas funções públicas que exerceu ao longo da vida”. Segundo ele, a trajetória de Lewandowski “enaltece o alcance e a importância dos seus excepcionais serviços prestados ao nosso país, exaltando-os como dignos do respeito e da admiração de todos os brasileiros”.
Após a saída do ministro, manifestações de apoio também vieram de integrantes do Judiciário e do governo. O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que atuou ao lado de Lewandowski durante sua passagem pela Corte, saiu em defesa do ex-colega diante de críticas nas redes sociais. Ele argumentou que Lewandowski trabalhou para fortalecer o combate ao crime organizado e esteve à frente da apresentação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.
O advogado-geral da União e indicado a uma vaga no STF, Jorge Messias, também elogiou a atuação do ex-ministro. Em publicação nas redes, afirmou: “Sua trajetória foi marcada por um compromisso inabalável com a ética, a transparência e a defesa dos direitos fundamentais, sempre com um olhar atento às necessidades dos mais vulneráveis”.
As manifestações positivas contrastaram com críticas vindas de setores da direita. O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que exerceu interinamente o cargo de governador durante as férias de Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou como positiva a saída de Lewandowski da pasta. “Na minha opinião, é o pior ministro da Justiça da história. A gente teve a proposta dele de uma lei de segurança pública inócua que, justamente por isso, não foi adiante, que também tirava poderes dos governadores. Também mais uma frase infeliz do governo administrado pelo PT quando ele diz que a polícia prende mal, por isso que a Justiça é obrigada a soltar”, disse.
A deputada federal Júlia Zanatta também criticou o desempenho do ex-ministro. Em postagem, escreveu: “Lewandowski sai do Ministério da Justiça e deixa um legado: crime organizado mais forte, mais ousado e mais armado no Brasil. Enquanto facções avançam, o ministro abandona o cargo sem entregar nada. Segurança zero”.
Lewandowski apresentou sua carta de demissão na última quinta-feira, mesmo após um pedido do presidente Lula para que permanecesse no cargo até o fim do mês. Ele esteve à frente do Ministério da Justiça por dois anos e enfrentou crises como a fuga de presos do presídio de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Durante o período, também acompanhou a conclusão das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em 2018, e a prisão dos acusados de serem os mandantes do crime, o deputado Chiquinho Brazão e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão.
Apesar das ações destacadas por aliados, Lewandowski não conseguiu aprovar no Congresso a PEC da Segurança, principal proposta legislativa de sua gestão. O projeto enfrentou resistências internas e divergências com a Casa Civil. Após a conclusão do texto pelo Ministério da Justiça, em dezembro de 2024, a proposta permaneceu parada por meses na pasta comandada por Rui Costa, que levantou questionamentos sobre pontos como o fortalecimento da Polícia Federal e a necessidade de reforço orçamentário. O envio ao Congresso só ocorreu em abril, e a matéria segue sem aprovação.



