Aldo Rebelo lança pré-candidatura ao Planalto e critica 'desequilíbrio institucional'
Ex-ministro se filia ao DC, ataca STF, cobra investimentos privados e questiona política ambiental do governo Lula
247 - O ex-ministro Aldo Rebelo lançou, neste sábado (31), em São Paulo, sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. Filiado ao partido Democracia Cristã (DC), ele apresentou um discurso com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de defender mudanças na política ambiental e maior estímulo ao investimento privado.
O ato de lançamento reuniu cerca de 500 pessoas, segundo a organização. Estiveram presentes militantes e dirigentes do DC e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Nesta semana, Kassab anunciou que a legenda definirá seu candidato à Presidência entre os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Em sua fala, Rebelo afirmou que o país enfrenta um quadro de “desequilíbrio institucional” e fez críticas diretas à atuação do STF. “Não é um problema pessoal, é institucional. O Supremo não pode ser um Poder acima dos demais”, declarou. Segundo ele, o tribunal assumiu um protagonismo político indevido e tem sido excessivamente influenciado por interpretações individuais de seus ministros.
O pré-candidato também mencionou disputas entre o Congresso Nacional e o STF, incluindo debates sobre o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Na sua avaliação, a instabilidade nas relações entre os Poderes compromete a segurança jurídica. Rebelo afirmou ainda que o país precisa superar um “bloqueio institucional” para retomar o crescimento econômico.
Na área econômica, Rebelo criticou a política ambiental do governo federal. Ele declarou que restrições à exploração de bens naturais e processos de demarcação de terras indígenas podem prejudicar a economia. Defendeu a necessidade de um “choque de investimento privado”, argumentando que o Estado não dispõe de recursos suficientes para impulsionar o desenvolvimento. Também afirmou que o empreendedorismo é tratado de forma inadequada no país.
A pré-candidatura de Rebelo se soma a outras já anunciadas no campo da oposição. Além de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, governador de Minas Gerais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) também se colocou como pré-candidato ao Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem declarado que pretende disputar a reeleição em outubro de 2026.
Aldo Rebelo foi filiado ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) até 2017, legenda na qual construiu a maior parte de sua trajetória política. Depois, passou por PSB, Solidariedade, PDT e MDB, antes de se filiar ao Democracia Cristã em 2025. Ele foi ministro no primeiro mandato de Lula, à frente da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, e integrou o governo Dilma Rousseff (PT) nos ministérios do Esporte, da Ciência e Tecnologia e da Defesa.
Rebelo exerceu mandatos como deputado federal entre 1991 e 2015 e presidiu a Câmara dos Deputados de 2005 a 2007. Em 2024, ocupou o cargo de secretário municipal de Relações Internacionais na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), em São Paulo. Nos últimos anos, afastou-se da esquerda e passou a se alinhar ao bolsonarismo.
O nome de Rebelo já foi citado por aliados do senador Flávio Bolsonaro como possível candidato a vice-presidente. Em declarações anteriores, o ex-ministro afirmou que seu projeto político é concorrer à Presidência, não integrar uma chapa como vice. O ex-presidente Jair Bolsonaro já fez elogios públicos a Rebelo, chamando-o de “um cara fantástico, em todos os aspectos”.

