André Mendonça promete autonomia total à PF na investigação do caso Master no STF
Novo relator afirma que Polícia Federal terá “carta branca” e trata apuração como a mais relevante de sua trajetória na Corte
247 - O ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a interlocutores que a Polícia Federal terá “carta branca” para conduzir as investigações relacionadas ao processo. A declaração ocorre em meio a um cenário de tensão dentro da Corte sobre os limites de atuação da corporação no caso.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, as falas foram confirmadas à emissora pelo gabinete do próprio ministro. Mendonça também teria ressaltado que considera o caso Master o mais relevante de sua carreira no Supremo e que o episódio deverá marcar sua biografia, razão pela qual pretende conduzir a relatoria com “extrema correção”.
A manifestação do ministro foi interpretada como um indicativo de liberdade plena para a atuação da Polícia Federal, especialmente após embates envolvendo o antigo relator do caso, ministro Dias Toffoli. A troca na condução do processo ocorre em um momento de sensibilidade institucional, com divergências internas sobre o alcance das investigações.
Durante sua atuação na relatoria, Toffoli impôs restrições ao trabalho da corporação. Entre as medidas adotadas, determinou que o material apreendido em uma das operações ficasse sob a guarda de seu gabinete e que apenas peritos designados por ele pudessem realizar a análise dos documentos e provas coletados.
Divergências internas no STF
O caso também evidenciou posições distintas entre ministros da Corte quanto à atuação da Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes, conforme relatos, teria feito críticas nos bastidores à forma como a investigação vinha sendo conduzida.
Em reunião reservada do Supremo que resultou no afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master, coube a Moraes expressar essas ponderações. De acordo com os relatos, o ministro afirmou que alertou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de que, caso surgisse algum achado envolvendo autoridade com prerrogativa de foro, a investigação não poderia prosseguir nos mesmos moldes. Segundo essa versão, Moraes teria dito que, se tal situação tivesse ocorrido, trataria-se de um “papel sujo” da PF e que a apuração deveria ser anulada.


