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Após ataque de Trump, Lula anuncia ida ao G7: ’alguém tem que colocar ordem na casa’

Presidente reafirma soberania brasileira, critica ‘traidores’ e cobra, mais uma vez, correção de rumo do Conselho de Segurança da ONU

Presidente Lula durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo de Comércio entre União Europeia e Mercosul. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (3), durante a abertura de uma reunião ministerial, que decidiu participar da reunião do G7 após o ataque de Donald Trump ao Brasil, reafirmou a soberania brasileira, criticou “traidores” movidos por interesses eleitorais e voltou a cobrar uma correção de rumo do Conselho de Segurança da ONU.

Na declaração feita a ministros, Lula disse que o Brasil não busca conflito com os Estados Unidos nem com qualquer outro país, mas defende relações internacionais baseadas em democracia, multilateralismo e responsabilidade entre chefes de Estado.

“Nós estamos muito tranquilos. Eu falo sempre: não quero guerra com os Estados Unidos, com a China, com a Bolívia, com o Uruguai. Quero provar que somente é possível a gente viver em paz se a gente fortalecer a democracia, o multilateralismo e se a gente tratar com responsabilidade a relação entre chefes de Estados”, afirmou.

Lula disse respeitar a eleição de Trump pelo povo norte-americano, mas cobrou reciprocidade em relação ao voto dos brasileiros. O presidente afirmou que nenhum líder tem mandato para agir como autoridade máxima sobre outros países.

“Trump foi eleito pelo povo americano e eu respeito o resultado eleitoral americano. Eu fui eleito pelo povo brasileiro e ele tem que respeitar o voto do povo brasileiro. Eu não fui eleito imperador da América Latina e muito menos o Trump foi eleito imperador do mundo”, declarou.

O presidente voltou a defender que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU discutam seu papel diante dos conflitos internacionais. Lula afirmou que o órgão precisa decidir se sua função é preservar a paz ou estimular guerras.

“O que espero, e estou implorando já há algum tempo, é que os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU - Inglaterra, França, Rússia, China e Estados Unidos - tenham a capacidade de se reunir e discutir qual é o papel deles, se é manter a paz ou fomentar a guerra”, disse.

Lula afirmou que o Brasil quer paz e melhoria da qualidade de vida da população. Segundo ele, esse compromisso será mantido até o fim de seu governo.

“Nós queremos paz, queremos melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro, e isso vamos fazer até o fim”, afirmou.

O presidente também anunciou que pretende enviar uma nova carta a Trump e continuar escrevendo artigos na imprensa internacional para contestar a posição dos Estados Unidos. Para Lula, a postura norte-americana induz o mundo a uma escalada de violência desnecessária.

“Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump. Vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e mundial para mostrar que eles estão errados, equivocados, e estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”, declarou.

Lula alertou ainda para os riscos de um conflito de maiores proporções envolvendo armas nucleares. Segundo ele, uma guerra desse tipo não produziria vencedores, mas a destruição do planeta.

“Todos eles sabem que se a gente tiver um conflito mais sério em que for necessário utilizar armas nucleares, a gente não está ganhando de um país. A gente está destruindo o planeta Terra. E isso o Brasil se colocará sempre contra. Para nós, ou é a paz ou não é nada”, afirmou.

Na área comercial, Lula disse que o Brasil não deve se lamentar diante de eventuais obstáculos criados pelos Estados Unidos. Segundo ele, se Washington não quiser comprar produtos brasileiros ou investir no país, o governo buscará outros parceiros.

“Se os Estados Unidos querem problema, eles têm o direito. Agora, não vamos ficar chorando. Vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, a gente vai vender para quem quiser. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, vamos procurar outro”, afirmou.

O presidente reforçou que o Brasil é um país soberano e que decisões sobre recursos estratégicos, como terras raras e minerais críticos, passarão necessariamente pelo governo brasileiro.

“O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano. E por conta dessa soberania faremos tudo que for necessário. Não cederemos. Quem quiser explorar terras raras aqui vai ter que falar com o governo brasileiro. Quem quiser explorar minerais críticos que vai ter conversar com o governo brasileiro”, disse.

Lula também afirmou que o país não aceitará mais uma postura subalterna diante das grandes potências. Ele citou a exploração histórica de riquezas brasileiras e defendeu uma relação internacional baseada em respeito mútuo.

“Resolvemos que este país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhores do que ninguém, mas também não somos melhores. Queremos respeitar todo mundo, mas também queremos respeito. É assim que a gente vai continuar tratando esse país”, declarou.

Em outro trecho, o presidente orientou seus ministros a denunciar o que classificou como tentativa de trair o Brasil por interesses eleitorais. Lula afirmou que não há disputa política capaz de justificar a venda dos interesses nacionais.

“E vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: estão tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos”, afirmou.

Lula disse que a reunião ministerial servia também para alinhar o discurso do governo diante da crise e afirmou que o Brasil não deve se intimidar.

“Essa reunião é uma arrumação de discurso para todo mundo. Ninguém tem que ter medo de nada. A gente não vai abaixar a cabeça”, disse.

Ao final, Lula anunciou que decidiu ir ao G7, encontro ao qual inicialmente não pretendia comparecer. O presidente afirmou que é necessário reagir ao enfraquecimento do multilateralismo, da democracia e das instituições.

“A gente vai continuar fazendo aquilo que sabemos fazer, continuar conversando com todo mundo. Eu nem ia no G7, mas agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e tentar dar um ‘paradeiro’ nessa coisa que está acontecendo, de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições”, concluiu. 

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