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Sem citar Flávio Bolsonaro, Lula critica “imbecil” que tenta levar vantagem eleitoral com tarifaço

Presidente afirma que brasileiros que fomentam nova taxação dos EUA contra o Brasil prejudicam o povo e cometem “traição à pátria”

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Waldemir Barreto/Agência Senado)
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247 - O presidente Lula (PT) criticou, nesta quarta-feira (3), brasileiros que, segundo ele, estariam incentivando o novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil com o objetivo de obter vantagem eleitoral. Sem citar Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que a tentativa de usar uma punição ao país para atingir uma candidatura à Presidência prejudica o povo brasileiro, e não o próprio presidente.

A declaração foi feita por Lula durante a abertura de uma reunião ministerial. Ao comentar a nova taxação anunciada pelos Estados Unidos contra o Brasil, o presidente disse ter sido surpreendido pela medida, já que havia discutido com Donald Trump uma agenda de negociação entre os dois países.

Lula relatou que, em reunião anterior com Trump, teve uma conversa de três horas e entregou documentos com temas que o Brasil desejava tratar com o governo norte-americano. Segundo ele, a área comercial registrou divergências entre ministros dos dois países, o que levou o presidente brasileiro a propor um prazo de 30 dias para que as equipes buscassem um entendimento.

“Na área comercial houve uma divergência entre o meu ministro com o ministro deles e eu propus ao Trump: já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar 30 dias para que os dois se entendam. Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás. Mas se vocês estiverem errados, vocês voltam atrás”, afirmou Lula.

O presidente disse que a reunião ainda não havia produzido uma conclusão definitiva, o que tornou a nova taxação ainda mais inesperada para o governo brasileiro. “Essa reunião ainda não concluiu nada. Por isso nossa surpresa com a decisão de mais uma taxação com relação ao Brasil”, declarou.

Lula afirmou ter entregado quatro documentos a Trump com assuntos considerados estratégicos pelo Brasil. Entre os temas citados estão o combate ao narcotráfico, a questão comercial, o acordo envolvendo Brasil, Turquia e Irã sobre enriquecimento de urânio, além de um relatório sobre terras raras e minerais críticos.

“Eu entreguei quatro documentos ao presidente Trump dizendo os assuntos que gostaríamos de discutir com eles. Desde o combate ao narcotráfico, a questão comercial… O acordo que nós tínhamos feito com o Irã, Brasil e Turquia com relação ao enriquecimento de urânio, que é melhor que o que eles fizeram, entreguei para o Trump também. E entreguei também nosso relatório sobre terras raras e minerais críticos”, disse.

Segundo Lula, os documentos foram entregues diretamente a Trump para evitar que o conteúdo se perdesse em meio aos trâmites entre assessores. O presidente afirmou ter pedido ao norte-americano que lesse os textos por considerar os temas importantes para a relação bilateral.

“Vou lhe entregar o documento porque muitas vezes a gente faz uma conversa e esquece e muitas vezes os assessores tomam os documentos da sua mão; por isso vou entregar pessoalmente para você os quatro documentos. Leve para casa e leia, porque é muito importante para a relação com o Brasil”, relatou Lula.

O presidente disse ter deixado a reunião convencido de que Brasil e Estados Unidos estavam iniciando uma nova lógica de relacionamento. A decisão norte-americana de aplicar nova taxação, porém, foi recebida como surpresa pelo governo brasileiro.

“Saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. Fui pego de surpresa ontem e anteontem a decisão dele”, afirmou.

Ao tratar da repercussão interna do tarifaço, Lula criticou duramente brasileiros que, em sua avaliação, estariam estimulando o conflito com os Estados Unidos para tentar prejudicar uma candidatura presidencial.

“E mais ainda: o que é triste é que tem brasileiros fomentando essa briga, na perspectiva de que, se ele taxar a gente, ele vai prejudicar uma candidatura à Presidência da República. Um imbecil desse não percebe que o prejudicado é o povo, não é o Lula”, disse o presidente.

Lula afirmou que pedir uma punição contra o Brasil para obter ganhos eleitorais é uma atitude grave. “Ou seja, pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem… É de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer: em qualquer outro país do mundo e em qualquer outro momento histórico isso seria chamado de traição à pátria. É o que eles fizeram”, declarou.

O presidente também classificou como irresponsável o comportamento do grupo que, segundo ele, atua para alimentar a crise. “Não tem explicação. Não tem na sociologia explicação para o comportamento de um grupo de irresponsáveis como eles”, concluiu. 

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