"Tariflávio": Planalto avalia que ofensiva de Flávio Bolsonaro e Trump virou ‘presente eleitoral’ para Lula
Levantamentos internos indicam grande rejeição popular às ameaças dos EUA contra o Brasil
247 - Integrantes do núcleo político e econômico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a recente ofensiva dos Estados Unidos contra produtos brasileiros acabou produzindo um efeito político favorável ao Palácio do Planalto. As informações são da jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo.
A leitura dentro do governo é que as ameaças de taxação anunciadas pela administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surgidas após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao líder norte-americano, contribuíram para recolocar em evidência temas considerados estratégicos para Lula, como soberania nacional, defesa do Pix e proteção da economia brasileira.
Duas autoridades com acesso direto ao presidente compartilham a avaliação de que o episódio acabou fortalecendo a posição do governo no debate público. A percepção também encontra eco entre lideranças do Centrão e até mesmo entre alguns aliados do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O diagnóstico é sustentado, em parte, por monitoramentos realizados nas redes sociais. Levantamentos analisados pelo governo indicariam ampla rejeição popular às ameaças comerciais vindas dos Estados Unidos. Um estudo da AtivaWeb DataLab apontou que, após os anúncios da gestão Trump, houve forte crescimento das menções ao termo "traição ao Brasil" nas plataformas digitais.
Segundo os dados citados pela Folha, 78% das interações relacionadas ao tema apresentaram sentimento negativo em relação ao presidente norte-americano e à família Bolsonaro. O resultado reforçou a convicção, dentro do governo, de que a controvérsia pode produzir dividendos políticos para Lula.
Uma das autoridades ouvidas pela colunista resumiu essa avaliação ao afirmar: "Mais uma vez os idiotas colocaram nas mãos de Lula um presente do ponto de vista eleitoral".
Outro integrante do governo, ligado à área econômica, argumentou que a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil avançaria independentemente da atuação de Flávio Bolsonaro. Na sua interpretação, a associação do processo ao filho do ex-presidente acabou gerando desgaste para a oposição e beneficiando o governo federal.
A mesma autoridade avaliou que, embora uma eventual tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros possa trazer impactos econômicos, seus efeitos seriam limitados no curto prazo. A análise é de que a medida não alteraria substancialmente o cenário atual da economia brasileira, marcado por inflação sob controle e níveis elevados de emprego.
Dentro do governo, a percepção é que esses indicadores econômicos, combinados à reação nacionalista despertada pelas ameaças externas, ajudam a manter os índices de aprovação de Lula em patamares considerados competitivos para o cenário eleitoral que se desenha nos próximos anos.



