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Lula chama novo tarifaço de 'inaceitável' e detona Rubio: "latino-americano frustrado"

Presidente critica nova taxação dos EUA ao Brasil e acusa Marco Rubio de hostilidade contra a América Latina

Marco Rubio e Lula (Foto: Mark Schiefelbein/Pool via Reuters | Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O presidente Lula (PT) classificou como inaceitável o novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e afirmou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tem uma postura hostil em relação à América Latina. A declaração foi feita nesta quarta-feira (3), durante a abertura de uma reunião ministerial.

Na fala aos ministros, Lula disse que o Brasil vive um momento de fortalecimento democrático, de defesa do multilateralismo e de avanços sociais, mas voltou a criticar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos ao país. “Nós somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana. Não é possível”, afirmou o presidente.

Lula disse que o Brasil nunca se recusou a negociar com os Estados Unidos e criticou a forma como tomou conhecimento da primeira taxação anunciada pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, a medida foi comunicada inicialmente por meio de uma publicação em rede social, e não por canais diplomáticos formais.

“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tuíte do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exigem, que um presidente telefone para o outro ou mande uma carta oficial. E fiquei sabendo a primeira taxação pelo Twitter”, disse Lula.

O presidente também contestou a justificativa econômica apresentada pelos Estados Unidos. Segundo ele, a alegação de déficit norte-americano com o Brasil não corresponde à realidade. “Porque o déficit que os Estados Unidos dizem que tem com o Brasil é o Brasil que tem contra ele. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os Estados Unidos, e não os Estados Unidos contra o Brasil”, afirmou.

Lula afirmou que o governo brasileiro evitou “bravata” e buscou construir uma resposta baseada em argumentos. Ele citou artigos publicados em veículos norte-americanos para expor o que chamou de “insensatez da punição ao Brasil”.

“Nós não fizemos bravata, não fizemos discurso. Resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos Estados Unidos, mas a outros países e ao povo americano, porque tiveram alguns artigos meus no Washington Post, no New York Times, mostrando a insensatez da punição ao Brasil”, declarou.

A fala mais dura foi dirigida a Marco Rubio. Lula afirmou que já havia dito a Trump que o secretário de Estado não demonstrava simpatia pela região. “Eu já tinha dito e disse ao presidente Trump: esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado”, disse.

O presidente também mencionou uma fala de Rubio no Senado dos Estados Unidos e defendeu que o Senado brasileiro responda às declarações. Segundo Lula, Rubio teria dito estar satisfeito com a aproximação de países latino-americanos com os Estados Unidos, com exceção de Brasil, Nicarágua, Cuba e Colômbia.

“O comportamento dele com relação à América Latina… Inclusive, espero que o nosso Senado responda. Ele falou ontem no Senado dos EUA que ele está muito feliz porque eles estão conseguindo fazer da América Latina, com exceção do Brasil, da Nicarágua, de Cuba e da Colômbia, muito próximo dos Estados Unidos”, afirmou Lula.

Lula também recorreu à história para afirmar que o Brasil conhece o papel dos Estados Unidos em momentos decisivos da política nacional. “Ele não sabe que nós já sabemos que, antes dessa jogada deles, esse país foi vítima de golpe em 1964 articulado por embaixadores americanos no Brasil. Nós sabemos disso”, declarou.

Apesar das críticas, o presidente afirmou que o Brasil não busca conflito com os Estados Unidos, mas uma relação baseada no respeito institucional. “É importante que eles saibam que nós conhecemos a história, que nós não queremos guerra. Queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos. Queremos fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos”, disse.

Lula relatou ainda que, em reunião anterior com Trump, entregou quatro documentos com temas que o Brasil gostaria de discutir com o governo norte-americano. Entre os assuntos mencionados estão combate ao narcotráfico, comércio, enriquecimento de urânio, terras raras e minerais críticos.

“Eu entreguei quatro documentos ao presidente Trump dizendo os assuntos que gostaríamos de discutir com eles. Desde o combate ao narcotráfico, a questão comercial… O acordo que nós tínhamos feito com o Irã, Brasil e Turquia com relação ao enriquecimento de urânio, que é melhor que o que eles fizeram, entreguei para o Trump também. E entreguei também nosso relatório sobre terras raras e minerais críticos”, afirmou.

Segundo Lula, a conversa com Trump durou três horas. O presidente disse ter sugerido um prazo de 30 dias para que os ministros dos dois países tentassem chegar a um entendimento na área comercial. “Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás. Mas se vocês estiverem errados, vocês voltam atrás”, declarou.

Lula afirmou que saiu da reunião convencido de que Brasil e Estados Unidos estavam construindo uma nova lógica de relacionamento. A nova taxação, segundo ele, surpreendeu o governo brasileiro.

“Saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. Fui pego de surpresa ontem e anteontem a decisão dele”, concluiu. 

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