Após facilitar entrega de terras raras ao EUA, Caiado usa slogan nacionalista
Pré-candidato cita defesa do país enquanto acordos e venda bilionária de mineradora expõem contradições
247 - O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que pretende adotar um discurso nacionalista ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre decisões tomadas durante sua gestão em Goiás envolvendo o setor de terras raras e a aproximação com os Estados Unidos. As declarações foram feitas durante evento em Itu (SP) e divulgadas pelo jornal O Globo.
“Se eu assumir a presidência, eu vou entregar o Brasil aos brasileiros. Podem confiar no Caiado. Isso eu dou conta de fazer e sei fazer”, afirmou. O pré-candidato também reconheceu um dos principais obstáculos de sua campanha. “O meu adversário sabe qual é? Que eu preciso ser conhecido: 53% da população não me conhece”, declarou.
Relação com Zema e estratégia política
Caiado disse preferir que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) concorra de forma independente, evitando uma chapa conjunta neste momento. Segundo ele, a união de candidaturas poderia beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição.
“Acho que cada um tem o seu estilo. Eu respeito totalmente que cada pré-candidato tenha o seu modelo. O meu estilo é o seguinte: eu governo pacificando”, afirmou. “Por que eu tentaria inibir a campanha de um colega?”, completou ao ser questionado sobre uma possível aliança.
Terras raras e acordos com os Estados Unidos
Documentos públicos indicam que a principal operação brasileira no setor de terras raras, instalada em Goiás, passou a integrar a estratégia dos Estados Unidos durante o período em que Caiado esteve à frente do governo estadual.
A mineradora Serra Verde, responsável pela mina Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), firmou acordo para ser adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth em uma operação estimada em cerca de US$ 2,8 bilhões.
O processo ocorreu após uma sequência de iniciativas envolvendo o governo de Goiás e autoridades americanas. Entre elas, estão a criação de uma autoridade estadual para minerais críticos, a assinatura de um memorando com os Estados Unidos e a concessão de um financiamento de US$ 565 milhões por uma agência do governo norte-americano à Serra Verde.
Na sequência dessas medidas, a mineradora brasileira anunciou a combinação de negócios com a empresa dos Estados Unidos, consolidando a operação.



