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Após Trump atacar Venezuela, parlamentar diz que Groenlândia "deve se preparar para todos os cenários"

Deputada alerta para riscos diante de ameaças do atual presidente dos Estados Unidos e pede que declarações sejam levadas mais a sério

Vance e sua mulher Usha visitam base norte-americana na Groenlândia - 28/03/2025 (Foto: Jim Watson/Pool via REUTERS)

247 - A Groenlândia precisa se preparar para diferentes cenários diante do aumento das tensões provocadas por declarações do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O alerta foi feito nesta segunda-feira (5) pela deputada Aaja Chemnitz, representante do território autônomo do Ártico no Parlamento da Dinamarca, ao comentar falas recentes do líder norte-americano sobre a região.

As declarações foram dadas em entrevista à AFP, agência que revelou a preocupação da parlamentar com o teor e a frequência das ameaças. Segundo Chemnitz, o contexto geopolítico exige cautela por parte da população local e das autoridades do território, que abriga cerca de 57 mil habitantes e possui recursos minerais relevantes, em grande parte ainda não explorados.

No domingo (4) à noite, Donald Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos “precisam da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”. A bordo do avião presidencial, o Air Force One, o presidente acrescentou: “Nos ocuparemos da Groenlândia em cerca de dois meses (...). Falaremos sobre a Groenlândia daqui a 20 dias”. Trump também alegou que embarcações russas e chinesas estariam “por toda parte” ao longo da costa groenlandesa.

Para Aaja Chemnitz, o discurso é alarmante. “Tudo isso é muito preocupante”, afirmou. Em outro momento da entrevista, reforçou a necessidade de vigilância: “Precisamos estar preparados para todos os cenários, seja um cabo de comunicação rompido ou as ameaças de Trump. Os groenlandeses precisam se preparar”. A deputada também contestou diretamente as declarações do presidente norte-americano: “Ele está espalhando mentiras sobre a presença desses navios. É muito preocupante”.

A Groenlândia, apesar de território autônomo, mantém vínculos políticos com a Dinamarca e abriga uma base militar dos Estados Unidos, fator que frequentemente a coloca no centro de disputas estratégicas no Ártico. Nos últimos anos, Trump tem reiterado publicamente o desejo de ampliar a influência americana sobre a ilha.

As falas do presidente dos Estados Unidos provocaram reação imediata em Copenhague. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, divulgou um comunicado no qual condenou as ameaças. “Peço aos Estados Unidos que cessem suas ameaças contra um aliado histórico e contra um território e um povo que deixaram claro que não estão à venda”, declarou. Em seguida, acrescentou: “É completamente absurdo dizer que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Groenlândia”.

Chemnitz avaliou ainda que as declarações de Trump devem ser encaradas “mais a sério do que antes”, diante do cenário internacional e do interesse crescente sobre o Ártico. O posicionamento foi acompanhado por manifestações de apoio de líderes europeus à Dinamarca e à Groenlândia.

Na segunda-feira (5), a Comissão Europeia afirmou esperar que todos os parceiros internacionais respeitem os princípios da soberania e da integridade territorial, reforçando o respaldo político ao governo dinamarquês e ao território groenlandês em meio à escalada retórica.

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