Ascensão social avança e 17,4 milhões deixam a pobreza em dois anos
Estudo da FGV aponta maior presença histórica das classes A, B e C no Brasil em 2024
247 - Em apenas dois anos, o Brasil registrou um movimento expressivo de mobilidade social, com 17,4 milhões de pessoas deixando a pobreza e passando a integrar as classes A, B e C. O número equivale à população total do Equador e revela uma transformação significativa no perfil socioeconômico do país, impulsionada sobretudo pelo aumento da renda do trabalho e pela ampliação do acesso ao emprego formal.
Os dados fazem parte de um estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), que analisou a evolução da renda e da estratificação social no período de 1976 a 2024. As informações foram divulgadas oficialmente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Segundo a FGV, o ritmo de ascensão social observado entre 2022 e 2024 foi 74% mais acelerado do que aquele verificado entre 2003 e 2014, outro período marcado por forte mobilidade social. Apenas nesse intervalo recente, a participação das classes A, B e C na população total cresceu 8,44 pontos percentuais, com parcela relevante desse avanço associada a beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O pesquisador e diretor da FGV Social, Marcelo Neri, autor do estudo, destacou o papel central do mercado de trabalho nesse processo. “O ganho de renda do trabalho foi o principal motor de ascensão social da chamada classe média. A regra de proteção do Bolsa Família impulsiona a geração de carteiras de trabalho, que talvez seja o principal símbolo da nova classe média vinda da base da distribuição de renda”, afirmou.
Em 2024, o país atingiu o maior nível histórico de participação das classes A, B e C desde o início da série analisada. Juntas, essas faixas responderam por um patamar 78,18% acima da média anual registrada desde 1976. A classe C concentrou 60,97% da população, enquanto as classes A e B somaram 17,21%.
Na outra ponta, as classes D e E alcançaram os menores percentuais já observados, com 15,05% e 6,77% da população, respectivamente. O resultado indica uma redução consistente da pobreza e da extrema pobreza no país, segundo a metodologia adotada pelo estudo.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, avaliou que os números refletem o impacto direto das políticas públicas combinadas ao crescimento econômico. “Um governo do lado do povo, e não é um jogo de palavras, é mudança para melhor mesmo, para milhões de brasileiros e brasileiras”, declarou.
Para o ministro, a integração entre programas sociais, geração de emprego e estímulo à atividade econômica tem sido decisiva. “Os mais pobres vêm ganhando oportunidades com o crescimento econômico acima de 3% ao ano, oportunidades de emprego e pequenos e médios negócios, ampliando a renda, aumentando a capacidade de consumo, o que impulsiona o próprio crescimento contínuo da economia. Como diz o presidente Lula, é o dinheiro nas mãos de milhões dentre os mais pobres, que começam com um Bolsa Família e depois as portas se abrem para um emprego ou um negócio assistido”, completou.


