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Ataque contra Irã acaba com Conselho de Paz de Trump, avalia governo Lula

Planalto vê ofensiva dos EUA como golpe na legitimidade do colegiado proposto por Trump e prepara reação diplomática enquanto monitora brasileiros no país

Ataque contra Irã acaba com Conselho de Paz de Trump, avalia governo Lula (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)

247 - Na avaliação do governo brasileiro, o ataque dos Estados Unidos contra o Irã compromete de forma definitiva a credibilidade do chamado Conselho de Paz idealizado pelo presidente americano Donald Trump. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e reflete o entendimento de integrantes do Palácio do Planalto sobre os desdobramentos da ofensiva militar.

Lançado por Trump com o discurso de promover a paz na Faixa de Gaza e buscar soluções para outros conflitos internacionais, o colegiado, segundo a leitura do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, perde qualquer resquício de legitimidade diante de uma ação militar unilateral. Para auxiliares presidenciais, o ataque mina a coerência política da proposta e enfraquece seu discurso diplomático.

O Brasil chegou a ser convidado a integrar o Conselho de Paz, mas, a exemplo de países como França e Alemanha, optou por resistir à adesão. A percepção predominante no Itamaraty é de que o órgão pode ser utilizado para esvaziar ainda mais o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) e fragilizar o sistema multilateral. O receio é de que a iniciativa sirva como instrumento político paralelo às instâncias tradicionais de mediação internacional.

Diante da escalada militar, o Planalto prepara um briefing ao presidente Lula sobre os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o regime iraniano. Integrantes do governo mantêm contato com a embaixada brasileira no Irã para obter informações atualizadas sobre a situação no país e sobre eventuais impactos à comunidade brasileira residente em território iraniano.

O relatório deverá ser encaminhado ao presidente por telefone ou mensagem de texto, já que ele cumpre agenda em Minas Gerais, estado que enfrenta uma grave situação de enchentes, com mais de 60 mortes registradas. Em episódios anteriores considerados sensíveis, como a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, houve a realização de dois briefings presenciais.

O Itamaraty também deve divulgar, ao longo do dia, uma nota oficial condenando os ataques contra o Irã. A posição segue um princípio histórico da diplomacia brasileira: reprovar ações militares unilaterais realizadas sem autorização do Conselho de Segurança da ONU. Para o governo, a preservação das regras internacionais é condição essencial para evitar o agravamento de crises regionais.

No entendimento de auxiliares presidenciais, a ofensiva contra o regime iraniano reduz ainda as chances de Trump vir a ser reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz, hipótese que já circulava no debate político internacional.

O Planalto acompanha com cautela as possíveis repercussões da operação. A avaliação interna é de que os efeitos podem ser mais amplos do que os bombardeios americanos realizados em junho do ano passado, quando os alvos estavam restritos a instalações nucleares iranianas. Agora, além dessas estruturas, a ofensiva atinge estoques de mísseis e lideranças do país persa.

Há temor de que os ataques não se mantenham dentro de um padrão considerado “cirúrgico”, como defendido em ocasiões anteriores, e que a crise se espalhe por outros países do Oriente Médio, ampliando a instabilidade regional e internacional.

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