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“Aventura perigosa”: Rússia condena agressão dos EUA e de Israel contra o Irã

Moscou denuncia violação do direito internacional e alerta para risco de catástrofe no Oriente Médio

Vista do Kremlin em Moscou, Rússia - 12/8/2024 (Foto: REUTERS/Maxim Shemetov)

247 – O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e classificou a ofensiva como um “ato planejado e não provocado de agressão armada”. A declaração foi divulgada em comunicado oficial reproduzido pela RT, no qual Moscou acusa Washington e Tel Aviv de promoverem uma escalada que ameaça a estabilidade regional e o regime global de não proliferação nuclear.

Segundo a chancelaria russa, “a escala e a natureza dos preparativos militares, políticos e de propaganda que precederam esta medida imprudente — incluindo o destacamento de um contingente significativo de forças americanas para a região — não deixam dúvidas de que se trata de um ato planejado e não provocado de agressão armada contra um Estado soberano e independente, membro da ONU, em violação dos princípios e normas fundamentais do direito internacional”.

Violação de princípios da ONU

Moscou destacou que os ataques estariam sendo realizados sob o pretexto de um processo de negociação retomado, supostamente voltado à normalização da situação em torno da República Islâmica do Irã. Para o ministério russo, essa justificativa contradiz sinais anteriormente enviados à Rússia sobre a falta de interesse de Israel em um confronto militar com Teerã.

A chancelaria afirmou ainda que “a comunidade internacional, incluindo a liderança da ONU e da AIEA, tem a obrigação de fornecer imediatamente uma avaliação objetiva e contundente dessas ações irresponsáveis que visam destruir a paz, a estabilidade e a segurança no Oriente Médio”.

Risco de catástrofe regional

O comunicado russo classifica a iniciativa de Washington e Tel Aviv como uma “aventura perigosa” que estaria aproximando rapidamente a região de uma crise de grandes proporções. De acordo com o texto, “Washington e Tel Aviv embarcaram mais uma vez em uma aventura perigosa que está rapidamente aproximando a região de uma catástrofe humanitária, econômica e, muito possivelmente, radiológica”.

Moscou também sustenta que “as intenções dos agressores são claras e foram declaradas abertamente: destruir a ordem constitucional e eliminar a liderança de um Estado indesejável que se recusou a submeter-se aos ditames da força e da hegemonia”.

A responsabilidade pelas consequências, acrescenta o ministério, seria integralmente dos Estados Unidos e de Israel. “A responsabilidade pelas consequências negativas desta crise, incluindo uma reação em cadeia imprevisível e uma espiral de violência, recai inteiramente sobre eles”, diz o comunicado.

Alerta sobre não proliferação nuclear

A Rússia também demonstrou preocupação com os impactos dos ataques sobre o regime global de não proliferação nuclear. O ministério condenou o fato de “as graves consequências destas medidas imprudentes para o regime global de não proliferação, cuja pedra angular é o Tratado de Não Proliferação Nuclear, estarem a ser abertamente ignoradas”.

Ainda segundo o comunicado, “a dupla EUA-Israel esconde-se atrás de uma suposta preocupação em impedir que os iranianos adquiram armas nucleares. Bombardear instalações nucleares sob as salvaguardas da AIEA é inaceitável”.

Moscou argumenta que os motivos declarados não correspondem à realidade. “Na realidade, os motivos de Washington e Tel Aviv nada têm a ver com o regime de não proliferação. Eles não podem deixar de perceber que, ao mergulharem o Médio Oriente no abismo da escalada descontrolada, estão, na verdade, encorajando países de todo o mundo, especialmente na região, a adquirirem capacidades cada vez mais sofisticadas contra ameaças emergentes”, enfatizou.

Defesa de solução diplomática

Por fim, a chancelaria russa afirmou que a atual crise decorre também da “natureza recorrente dos ataques desestabilizadores lançados pelo governo dos EUA nos últimos meses contra os pilares do direito internacional da ordem mundial, como a não interferência em assuntos internos, a renúncia à ameaça ou ao uso da força e a solução pacífica de controvérsias internacionais”.

O governo russo concluiu o comunicado defendendo uma saída negociada para o impasse. “Exigimos um retorno imediato ao caminho das soluções políticas e diplomáticas. A Rússia, como sempre, está pronta para facilitar a busca por soluções pacíficas baseadas no direito internacional, no respeito mútuo e no equilíbrio de interesses”, concluiu.

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