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Brasil busca parceria com indústria indiana para produzir medicamentos biológicos no país

Ministro Alexandre Padilha visitou instalações da Biocon e conheceu tecnologias de ponta, além de discutir hospitais inteligentes

Padilha visita parque industrial na Índia (Foto: Rafael Nascimento-Ministério da Saúde )

247 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, realizou nesta quinta-feira (19) uma visita ao parque industrial da farmacêutica Biocon, em Bengaluru, na Índia, com o objetivo de ampliar a capacidade do Brasil na produção nacional de medicamentos de alta complexidade. A agenda incluiu reuniões e visitas técnicas voltadas ao fortalecimento de acordos internacionais para transferência de tecnologia e expansão da autonomia brasileira no setor de biológicos.

A visita foi divulgada pelo Ministério da Saúde, que destacou a intenção do governo de avançar em parcerias estratégicas com empresas indianas para garantir maior acesso da população a tratamentos modernos e fortalecer a soberania nacional na área da saúde.

Durante a passagem pela Biocon, Padilha conheceu as instalações industriais voltadas à produção de medicamentos biológicos, incluindo o pertuzumabe, utilizado no tratamento do câncer de mama HER2-positivo, inclusive em casos metastáticos. A agenda também incluiu a apresentação de processos industriais relacionados à fabricação de medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida, aplicada no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade e popularmente chamada de “caneta emagrecedora”.

Segundo o ministro, a expectativa é que o intercâmbio entre empresas brasileiras e indianas resulte em novos acordos capazes de ampliar a produção de biológicos no Brasil e garantir maior disponibilidade de medicamentos considerados essenciais para o enfrentamento de doenças crônicas e graves.

“Estivemos em uma das maiores produtoras de medicamentos biológicos, biossimilares. São medicamentos modernos para tratamento do câncer, de doenças autoimunes, doenças crônicas que queremos produzir no Brasil. Uma parceria muito importante que vai garantir mais acesso à população brasileira a esses medicamentos e salvar vidas no nosso país”, afirmou Padilha.

O ministro também ressaltou o domínio tecnológico da empresa indiana na área de peptídeos, apontando que esse conhecimento pode ser decisivo para ampliar a fabricação de medicamentos voltados ao controle do diabetes e da obesidade, com potencial de aplicação futura em outras doenças.

“Além disso, essa grande produtora mundial domina a tecnologia de peptídeos, que são medicamentos para diabetes e controle da obesidade e que também poderão servir, no futuro, para outras doenças”, disse.

Padilha declarou ainda que a aproximação entre os dois países pode impulsionar acordos que ampliem o acesso a tecnologias avançadas no Brasil. “A expectativa do Ministério é que essa aproximação das empresas brasileiras e indianas possa gerar novos acordos, mais tecnologia e mais produção de medicamentos no Brasil. É um importante avanço para cuidar da saúde e soberania brasileira com esse grande parceiro dos BRICS que é a Índia”, completou.

A Índia é considerada uma das maiores potências farmacêuticas globais, com ampla capacidade industrial e forte presença na produção de medicamentos e biossimilares. O país também tem ampliado investimentos em inovação e expandido rapidamente iniciativas voltadas à saúde digital.

Visita a hospital inteligente amplia cooperação em saúde digital

Além da agenda industrial, o ministro visitou a unidade hospitalar da rede Narayana Health, referência internacional no modelo de hospital inteligente. O grupo atua em diversas regiões da Índia e mantém presença internacional com unidades no Reino Unido e no Quênia.

A instituição é reconhecida pelo uso intensivo de soluções digitais aplicadas à gestão hospitalar, incluindo prontuário eletrônico integrado, acompanhamento remoto de pacientes, monitoramento em tempo real de equipamentos e administração baseada em dados.

Durante a visita, Padilha se reuniu com o diretor médico e vice-presidente da rede, Paul Salins, para discutir possibilidades de cooperação e troca de experiências no campo da transformação digital do atendimento hospitalar.De acordo com o ministro, o Brasil vem estruturando, por meio do Ministério da Saúde e em parceria com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, uma Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. A iniciativa está vinculada ao programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, que tem como meta reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Rede nacional prevê implantação em 13 estados

O projeto prevê implantação inicial em 13 estados brasileiros: Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).

Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia terá foco em unidades de terapia intensiva e na criação de um hospital de emergência totalmente inteligente, com conexão via internet, monitoramento digital de equipamentos, integração com ambulâncias e articulação com redes locais de atenção à saúde.

Padilha informou que o projeto já conta com apoio internacional para viabilizar investimentos e ampliar parcerias tecnológicas. “Estamos recebendo financiamento do Banco dos BRICS e firmando parcerias com vários hospitais que já utilizam o conceito dos hospitais inteligentes da China e da Índia. Essa cooperação vai consolidar uma parceria estratégica do Ministério da Saúde com essa futura rede de cuidados no SUS”, afirmou.

A agenda do ministro na Índia reforça a estratégia do governo brasileiro de buscar cooperação com países do BRICS para ampliar tanto a produção nacional de medicamentos biológicos quanto a modernização digital da rede pública de saúde, com foco em tecnologia, inovação e expansão do acesso da população a tratamentos especializados.

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