Padilha garante transferência de tecnologia da Índia para produzir vacinas e canetas emagrecedoras
Ministro da Saúde afirma que acordos com Índia envolvem Fiocruz, Anvisa e empresas do setor para ampliar a produção nacional de medicamentos estratégicos
247 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil sai da visita oficial à Índia com acordos voltados à transferência de tecnologia e à produção nacional de medicamentos de alta complexidade, como vacinas, biológicos para câncer e peptídeos utilizados no tratamento de diabetes e obesidade. As declarações foram dadas em entrevista à Sputnik Brasil durante a viagem ao país asiático.
Segundo a reportagem da Sputnik Brasil, a delegação brasileira reúne integrantes do governo e empresários de empresas públicas e privadas, com foco na ampliação de investimentos e no fortalecimento da indústria farmacêutica nacional.
Produção nacional e autonomia estratégica
Padilha detalhou que o objetivo central da agenda é atrair empresas indianas para parcerias com instituições brasileiras, garantindo produção local e maior acesso da população a medicamentos essenciais. "O Brasil quer aproveitar o crescimento da indústria farmacêutica e de tecnologia da saúde da Índia e atrair essas empresas para parcerias com instituições brasileiras para transferir tecnologia e produzir no país as medicações, as vacinas e as tecnologias que o nosso povo mais precisa", declarou.
O ministro também ressaltou o engajamento do setor produtivo brasileiro na missão oficial. "Mobilizamos também empresários brasileiros de empresas públicas e empresas privadas brasileiras que estão aqui para firmar parcerias, levar investimentos para o Brasil e mais acesso aos medicamentos ao povo brasileiro".
De acordo com ele, serão assinadas parcerias entre empresas indianas e laboratórios públicos brasileiros, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Bahia Pharma. Também estão previstos acordos entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a agência reguladora indiana, com o objetivo de dar mais agilidade à incorporação de novas tecnologias.
Padilha lembrou que a cooperação entre os dois países já produz resultados concretos. Ele afirmou à reportagem que hoje o Brasil só produz insulina graças a uma parceria com a Índia.
Medicamentos para câncer e doenças autoimunes
O ministro enfatizou que os novos acordos devem permitir ao Brasil produzir medicamentos que hoje não são fabricados no país. "As parcerias de transferência de tecnologia que nós assinaremos aqui significam uma nova realidade para o Brasil produzir medicamentos que não produzia para o câncer, doenças autoimunes", afirmou.
Entre os pontos centrais da agenda está também a produção de peptídeos, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, utilizados tanto no tratamento do diabetes quanto no enfrentamento da obesidade. "Além disso, nós temos expectativa de assinar parcerias na produção no Brasil dos peptídeos, que são conhecidos como as canetas emagrecedoras, medicamentos que hoje são utilizados para o diabetes e para o enfrentamento à obesidade".
Ao justificar a escolha da Índia como parceiro estratégico, Padilha destacou o protagonismo do país asiático no setor farmacêutico global. "E por que a Índia? Exatamente por ser uma potência farmacêutica hoje. A Índia é uma grande potência farmacêutica, tem uma capacidade de produção de novas tecnologias na saúde, tem uma expansão muito importante na saúde digital".
Segundo ele, os acordos devem fortalecer a produção nacional e ampliar a autonomia brasileira no setor de saúde, reduzindo dependências externas em áreas sensíveis.
BRICS e liderança do Sul Global em vacinas
Padilha também relacionou as parcerias à cooperação no âmbito do BRICS. De acordo com o ministro, a presidência brasileira do bloco priorizou a construção de uma parceria estratégica para enfrentar os determinantes sociais da saúde.
Ele defendeu que os países do bloco podem assumir papel de liderança na produção de imunizantes voltados às necessidades do Sul Global. "Brasil, Índia, África do Sul, China e Rússia podem liderar o Sul Global na produção de vacinas, especialmente para doenças que mais afetam esses países", afirmou.
O ministro citou a vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida no país, e mencionou a possibilidade de ampliar a produção em parceria com a China. Também destacou a vacina contra febre amarela e negociações com empresas indianas para expandir a oferta ao Sul Global.
"Estamos articulando parcerias com empresas indianas e chinesas para ampliar nossa autonomia na produção de vacinas para doenças respiratórias e outras enfermidades que afetam o mundo inteiro", declarou.
Com a agenda na Índia, o governo brasileiro busca consolidar uma estratégia de fortalecimento da indústria nacional da saúde, ampliar a capacidade produtiva e posicionar o Brasil como protagonista na cooperação internacional em medicamentos e vacinas, especialmente no âmbito do BRICS e do Sul Global.


