Brasil não se furtará a apoiar saúde da Venezuela, diz Padilha
Ministro da Saúde afirma que ajuda não compromete o SUS e descarta hospital de campanha em Roraima
247 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (7) que o Brasil prestará apoio ao sistema de saúde da Venezuela diante da crise resultante do ataque estadunidense que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Segundo ele, a ajuda será feita com o envio de insumos e medicamentos, sem prejuízo ao atendimento da população brasileira pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Padilha também descartou a instalação de hospitais de campanha na região de fronteira com Roraima, avaliando que a estrutura atual é suficiente para atender eventuais demandas adicionais. As informações são da Folha de São Paulo.
Ajuda humanitária sem impacto no SUS
Padilha ressaltou que o apoio brasileiro não comprometerá os serviços de saúde no país. “A gente não vai se furtar enquanto Ministério da Saúde em ajudar um país vizinho, o povo de um país vizinho numa situação como essa, ainda mais quando essa ajuda, que é com insumos e produtos, não afeta em nada o atendimento no SUS aqui no nosso país”, afirmou. Segundo o ministro, a cooperação humanitária ocorre em um contexto de responsabilidade regional e solidariedade, sem comprometer os recursos destinados à população brasileira.
Fronteira preparada, sem hospital de campanha
O ministro explicou que, até o momento, não houve aumento significativo no fluxo migratório que justificasse medidas emergenciais mais amplas. Ainda assim, o Ministério da Saúde mantém planos de contingência prontos para serem acionados, caso necessário.
“Identificamos que se for necessário qualquer tipo de ampliação da estrutura é possível fazer nessa estrutura do hospital de Pacaraima (RR). A gente não precisaria montar um hospital de campanha adicional lá, em Pacaraima. É possível só levar equipamentos, ampliação. Então tem esse diagnóstico que tá feito. Fizemos todo o plano de contingência, estamos preparados”, declarou Padilha.
Apoio internacional e envio de medicamentos
De acordo com o ministro, as operações militares recentes dos Estados Unidos contra a Venezuela resultaram na destruição de um centro de distribuição de medicamentos e de uma unidade de tratamento de pacientes renais. Diante desse cenário, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) solicitou apoio ao governo brasileiro.
Padilha confirmou que o Brasil enviará insumos e medicamentos, especialmente para pacientes que necessitam de diálise, tratamento essencial para pessoas com comprometimento da função renal.
Críticas aos ataques e defesa da paz
No sábado (3), data dos ataques estadunidenses ao território venezuelano, o ministro manifestou repúdio às ações militares e alertou para os impactos diretos sobre os sistemas de saúde da região. Em publicação nas redes sociais, Padilha destacou os efeitos humanitários dos conflitos armados.
“Sempre queremos e trabalhamos pela paz. Nada justifica conflitos terminarem em bombardeio”, escreveu. “Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontece em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde.”
Segundo o Ministério da Saúde, estados brasileiros que fazem fronteira com a Venezuela, como Amazonas e Roraima, já sentem reflexos da crise, o que reforça a importância da cooperação regional e da atuação preventiva do SUS.



