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Brasil quer parcerias com países que queiram trazer tecnologias, diz Lula em SP

Presidente visita fábrica da CRRC em Araraquara e reforça investimentos do BNDES em mobilidade urbana, com foco em geração de empregos e produção nacional

5.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da nova fábrica da CRRC Brasil, na Av. Marginal 26, 036 - 3400 – Fazenda Bom Retiro, Araraquara - SP. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (25) que o Brasil precisa ampliar parcerias internacionais para acelerar o desenvolvimento tecnológico e industrial. A declaração foi feita durante visita à fábrica da CRRC, em implantação em Araraquara (SP), em um evento que também marcou o anúncio de R$ 5,6 bilhões em financiamentos para projetos de mobilidade urbana no estado. As informações são da Agência Gov.

A agenda reuniu autoridades e representantes do setor produtivo e simboliza um novo ciclo de investimentos ferroviários no país. Durante o evento, foram assinados contratos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), voltados à expansão do transporte sobre trilhos em São Paulo.

Parcerias internacionais e transferência de tecnologia

Em discurso, Lula destacou a importância da cooperação com outros países como estratégia para ampliar o domínio tecnológico brasileiro.

“É muito importante fazer parceria com países que queiram trazer tecnologias que o Brasil ainda não domina, porque isso significa que a gente vai ter que ter trabalhadores e trabalhadoras bem formados. Certamente muita gente dessa empresa vai à China fazer cursos de aprendizado e aperfeiçoamento. Certamente muitos chineses virão para cá para ajudar o Brasil a ser detentor do conhecimento dessa tecnologia”, declarou.

O presidente também reforçou, em publicação nas redes sociais, que o investimento público está condicionado à produção local.

“A CRRC, que visitamos hoje em Araraquara, vai produzir trens para o metrô de São Paulo. Por decisão do Governo do Brasil, o investimento federal via BNDES nas composições só pode ser realizado se a empresa que fornecer os trens tiver produção local.”

Segundo ele, a instalação da fábrica representa geração de empregos e fortalecimento da indústria nacional.

Investimentos em mobilidade urbana

Os contratos assinados somam R$ 5,6 bilhões. Desse total, R$ 3,2 bilhões serão destinados à segunda etapa do Trem Intercidades Eixo Norte (TIC), que ligará São Paulo a Campinas. Outros R$ 2,4 bilhões vão financiar a expansão da Linha 2 (Verde) do metrô da capital paulista.

Lula defendeu o papel do financiamento público para viabilizar projetos estruturantes.

“Se não fosse o BNDES, não tinha a Nova Indústria Brasil e não tinha muitos projetos de desenvolvimento que precisassem de financiamento. Nós estamos emprestando dinheiro aqui, inclusive do Fundo de Garantia. E por que nós estamos emprestando dinheiro? Porque é necessário emprestar para construir um ativo produtivo que vai dar rentabilidade para o Brasil, isso não é gasto”, disse.

O presidente também afirmou que o país tem condições de avançar economicamente.

“O Brasil precisa ultrapassar essa barreira e se transformar definitivamente num país desenvolvido. O Brasil tem todas as condições de dar um salto de qualidade e se transformar em uma nação desenvolvida. Só basta a gente ter coragem de acreditar no Brasil e fazer as coisas acontecerem.”

Indústria nacional e conteúdo local

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, destacou que o financiamento está atrelado à exigência de produção no país.

“Agora, o BNDES, nosso parceiro, financia e exige conteúdo nacional. Então, a fábrica se instala aqui no Brasil para fabricar os trens aqui. E o Governo não está só financiando o trem entre Campinas e São Paulo e Campinas. O caro é a desapropriação. Toda a área, desde São Paulo até Campinas, é federal, o Governo Federal autorizou tudo. O governo está cedendo toda a área, nenhuma despesa de desapropriação e financiando a construção desses moderníssimos trens”, registrou.

A fábrica da CRRC ocupa uma antiga planta industrial desativada e já iniciou contratações, mesmo antes da conclusão das linhas de produção.

Novo PAC e expansão do transporte

Os projetos fazem parte do Novo PAC e integram um pacote maior de R$ 10 bilhões em financiamentos aprovados pelo BNDES. Os recursos contemplam tanto o Trem Intercidades quanto a aquisição de 44 trens para o metrô paulistano, com entregas previstas a partir de 2027.

No caso da Linha 2-Verde, a expansão será de 8,3 quilômetros, com oito novas estações até a Penha. A expectativa é beneficiar mais de 320 mil passageiros por dia útil, ampliando a integração com outras linhas metroferroviárias.

Geração de empregos e reindustrialização

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a mudança na política de financiamento da instituição.

“É um transporte mais moderno e mais eficiente. É um investimento muito grande. Nós não queremos simplesmente fazer metrô. Queremos o metrô, mas queremos fazer gerando emprego e investimento no Brasil. É o BNDES que está financiando essa empresa e nós falamos: ‘temos que gerar conteúdo local, tem que trazer a indústria de volta’. Nós queremos ver a carteira de trabalho assinada, peão entrando na fábrica, trabalhando com segurança, voltando com o salário para casa e reindustrializando esse país”, afirmou.

Impacto social e qualidade de vida

Durante o evento, também foi anunciada a liberação de R$ 1,5 bilhão do FGTS para complementar as obras do Trem Intercidades. O ministro das Cidades, Jader Filho, ressaltou o impacto direto na rotina da população.

“Não são números: é melhorar o transporte público para as famílias do estado de São Paulo. Porque quando esse governo pensa em uma obra como essa, ele está pensando em Dona Maria e em Seu João, em como é que ele vai chegar mais cedo na casa dele, como é que ele vai chegar mais cedo ao trabalho, para que ele possa ter, em vez de ficar perdendo tempo durante o transporte, poder estar fazendo um curso, cuidar da família, fazendo uma academia”, ressaltou.

Compromisso com produção no Brasil

Representando a empresa, Ma Lijun, presidente da CRRC Sifang, afirmou que a meta é consolidar a produção local e contribuir para a mobilidade nacional.

“A nossa meta é estabelecer aqui no Brasil e oferecer serviços ao mercado brasileiro. Esperamos que, com os esforços conjuntos, consigamos transformar uma fábrica de trens chinês em uma fábrica de trens brasileira. Esperamos que consigamos melhorar ao máximo a mobilidade dos brasileiros e contribuir para a economia brasileira através da mobilidade”, disse.

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