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Candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro é irreversível, diz Valdemar

Presidente do PL afirma que projeto presidencial do senador ganhou força após pesquisas

Valdemar Costa Neto (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - Quarenta e cinco dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter sido indicado por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência da República, a direção do Partido Liberal passou a tratar o projeto eleitoral como um caminho sem volta. Avaliações internas indicam que o desempenho recente do parlamentar em pesquisas de intenção de voto reforçou a aposta do partido em seu nome para liderar o campo da direita nas eleições de 2026, mesmo diante de resistências de siglas de centro. As informações são da CNN Brasil.

Segundo a cúpula do PL, os dados da última pesquisa Quaest apontam crescimento de Flávio Bolsonaro e sinalizam espaço para consolidá-lo como principal candidato do partido ao Palácio do Planalto. Para dirigentes da legenda, o levantamento ajuda a sustentar a estratégia já adotada pelo ex-presidente ao escolher o filho como seu sucessor político.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi direto ao comentar o cenário. “A candidatura de Flávio é viável e irreversível”, afirmou em declaração à CNN. A avaliação, no entanto, não é unânime entre aliados da direita, especialmente entre aqueles próximos ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Embora Tarcísio declare publicamente que buscará a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, interlocutores do governador consideram que seu futuro político ainda está em aberto. Na leitura desses aliados, haveria espaço para que, mais adiante, ele aceitasse disputar a Presidência em um confronto direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desde que houvesse uma convergência das forças de direita em torno de seu nome e, principalmente, o aval de Jair Bolsonaro.

Esse eventual rearranjo dependeria, segundo relatos de bastidores, de Bolsonaro abrir mão da candidatura de Flávio para apoiar o governador paulista. O ex-presidente está preso no complexo da Papuda, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado, fator que também pesa nas articulações políticas do grupo.

Lideranças do chamado centrão afirmam que aguardam novas pesquisas antes de definir um eventual apoio. Mais do que os percentuais de intenção de voto em cenários contra Lula, os partidos observam com atenção os índices de conhecimento e rejeição dos possíveis candidatos. Nesse aspecto, a pesquisa Quaest mais recente mostra vantagens e dificuldades distintas: Tarcísio de Freitas é desconhecido por 31% dos entrevistados e rejeitado por 43% entre os que o conhecem, enquanto Flávio Bolsonaro é desconhecido por 11%, mas enfrenta rejeição de 55% entre os eleitores que sabem que ele é filho do ex-presidente.

No último sábado (17), Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo nas redes sociais em que defendeu a união do campo conservador e saiu em defesa tanto de Tarcísio quanto da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “Todos nós que queremos um Brasil melhor temos que ter muita sabedoria e união para vencer o partido das trevas. A gente precisa praticar aquilo que prega: como vamos unir o Brasil se não conseguimos unir a direita antes?”, declarou o senador. Em seguida, reforçou o apoio aos aliados: “Não caiam em pilha errada. O Tarcísio é um aliado fundamental. A Michelle tem um papel importantíssimo”.

Apesar do discurso público de unidade, setores do bolsonarismo demonstram desconfiança em relação a uma possível atuação coordenada de Michelle Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas contra a candidatura de Flávio. As suspeitas ganharam força após a ex-primeira-dama publicar um vídeo do governador e diante das articulações de ambos junto a ministros do Supremo Tribunal Federal para pedir a concessão de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro.

Oficialmente, Michelle Bolsonaro afirma apoiar o filho mais velho do ex-presidente. Ainda assim, aliados relatam desconforto da ex-primeira-dama com o anúncio da candidatura de Flávio ao Planalto sem que ela tivesse sido consultada previamente, o que mantém o ambiente político da direita marcado por cautela e disputas internas às vésperas do calendário eleitoral.

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