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Caiado busca acordo com o PL para sucessão em Goiás, diz jornal

Negociações ocorrem após embates na disputa por prefeitura de Goiânia

Brasília (DF) - 28/05/2025 - O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

247 - A articulação política entre o grupo do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (União Brasil), e integrantes do PL avançou nos últimos meses no estado, após um período de enfrentamento direto entre as duas forças na eleição municipal de Goiânia em 2024. As conversas têm como pano de fundo a sucessão ao governo goiano e a formação de chapas competitivas para o Senado. As informações são do jornal O Globo.

Depois de uma campanha municipal marcada por ataques e divisão na direita, aliados de Caiado passaram a trabalhar pela consolidação da pré-candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) ao Palácio das Esmeraldas. Paralelamente, o PL busca construir uma estratégia eleitoral que fortaleça sua presença nas disputas majoritárias em Goiás.

Encontro entre Caiado e Flávio Bolsonaro

O tema foi tratado em um encontro realizado no fim de dezembro entre Caiado e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Daniel Vilela participou da reunião e comentou o teor da conversa. "Foi uma conversa madura sobre o cenário nacional e local. Falamos sobre manter as conversas que devem se intensificar e afunilar em 2026. E as decisões serão tomadas no tempo certo e com maturidade política", afirmou.

As negociações entre União Brasil e PL em Goiás tiveram início por volta de um ano atrás, durante uma visita de Vilela a Bolsonaro. O encontro foi intermediado pelo ex-deputado federal e vereador Major Victor Hugo (PL), que já ocupou a liderança do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

Divisão interna no PL

A aproximação provocou reações internas no PL. Na ocasião, o presidente estadual da sigla, senador Wilder Morais (GO), divulgou uma nota de repúdio criticando diálogos com adversários no âmbito estadual. À época, o PL e o grupo de Caiado haviam acabado de se enfrentar na eleição pela prefeitura de Goiânia. Sandro Mabel (MDB), apoiado pelo governador, venceu o segundo turno contra Fred Rodrigues (PL).

A pré-candidatura de Wilder ao governo de Goiás foi lançada em meio a divergências internas. Parte do partido defendia apoio a Daniel Vilela, enquanto outra ala, que prevaleceu naquele momento, optou por candidatura própria. A chapa inclui ainda o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) como pré-candidato ao Senado. Em nota, o partido afirmou que ambos "reforçam a unidade interna da legenda e a construção de uma chapa majoritária robusta, com forte apelo entre o eleitorado conservador do estado".

Estratégia eleitoral e cenário de incerteza

Para viabilizar o projeto eleitoral, o PL promoveu encontros com filiados e apoiadores ao longo de dezembro, após cobranças por maior exposição pública de Wilder. Na última pesquisa Genial/Quaest sobre a sucessão estadual, realizada em agosto do ano passado, o senador apareceu com 10% das intenções de voto. Daniel Vilela liderou com 26%, enquanto Marconi Perillo (PSDB) registrou 22%, em um cenário considerado incerto por interlocutores.

Aliados do PL próximos ao MDB afirmam, de forma reservada, que o lançamento da pré-candidatura de Wilder também teve o objetivo de marcar posição para futuras negociações. Internamente, o partido enfrenta a saída de prefeitos, que têm migrado para o União Brasil, de Caiado, ou para o MDB, de Vilela.

Críticas à ofensiva contra prefeitos

A movimentação é criticada por Fred Rodrigues, vice-presidente estadual do PL e candidato derrotado à prefeitura de Goiânia em 2024. Ele avalia que a ofensiva contra prefeitos não contribui para o diálogo político, embora reconheça o interesse da sigla em compor uma chapa com a primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), que lidera pesquisas para o Senado no estado.

"Se o governador tinha a pretensão de construir um apoio do PL nacional e estadual, essa investida contra os prefeitos feita pelo MDB e pelo União Brasil certamente não é um bom cartão de visitas e deve atrapalhar a possibilidade de costuras futuramente", disse Rodrigues.

Cenário presidencial

No plano nacional, Caiado tem buscado ampliar sua interlocução com a base bolsonarista, adotando discursos centrados em segurança pública e antipetismo. No ano passado, também fez acenos a Bolsonaro ao declarar que concederia anistia ao ex-presidente em caso de vitória na eleição presidencial. Em dezembro, Caiado afirmou que manterá sua pré-candidatura mesmo após Flávio Bolsonaro ser escolhido para representar o pai na disputa pelo Palácio do Planalto.

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