Cardiomiopatia hipertrófica causou morte súbita do fisiculturista Gabriel Ganley, diz atestado
Influenciador fitness de 22 anos morreu após complicações cardíacas associadas à doença hereditária
247 - O fisiculturista e influenciador fitness Gabriel Ganley, de 22 anos, morreu em decorrência de uma cardiomiopatia hipertrófica, segundo informações do atestado de óbito obtido pelo g1. O atleta foi encontrado morto no último sábado (23), e a causa da morte foi registrada como uma parada súbita provocada pela doença cardíaca, caracterizada pelo espessamento anormal do músculo do coração.
A cardiomiopatia hipertrófica dificulta o relaxamento e o bombeamento do sangue pelo coração. Considerada uma condição geralmente hereditária e genética, especialistas apontam que o quadro pode ser agravado pelo uso de substâncias como anabolizantes.
Gabriel acumulava cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram, onde compartilhava conteúdos sobre musculação, rotina de treinos e preparação física. Natural do Rio de Janeiro, ele ganhou notoriedade entre 2023 e 2024 em competições de fisiculturismo natural, modalidade em que o uso de esteroides anabolizantes é proibido.
No entanto, no ano passado, o atleta revelou publicamente que havia começado a utilizar anabolizantes. Gabriel também era presença aguardada no Musclecontest Brasil, competição marcada para julho, em Curitiba (PR). Em entrevista recente ao ge, ele afirmou que sonhava em disputar o Mr. Olympia, considerado o principal campeonato de fisiculturismo do mundo.
Nas redes sociais e em reportagens publicadas por veículos como a coluna Músculo, da Folha de S.Paulo, e o portal LeoDias, surgiram especulações sobre uma possível hipoglicemia provocada pelo uso inadequado de insulina para ganho de massa muscular. Em vídeos publicados recentemente, Gabriel relatou episódios de mal-estar associados ao uso da substância.
Em um dos registros que circulam nas redes, o fisiculturista afirmou ter sentido “muita confusão mental” e “suadeira” após utilizar insulina. Apesar disso, disse ter acordado com um “shape animal”, expressão usada no meio fitness para descrever um físico extremamente definido.
A insulina é um hormônio utilizado clinicamente no tratamento do diabetes, mas alguns praticantes de fisiculturismo recorrem à substância para potencializar o crescimento muscular e acelerar a recuperação após treinos intensos. O hormônio facilita a entrada de glicose e aminoácidos nas células musculares, favorecendo o armazenamento de energia e a síntese proteica.
Especialistas alertam, porém, que o uso sem acompanhamento médico é extremamente perigoso. Entre os riscos estão tremores, suor frio, confusão mental, perda de consciência, convulsões, coma e morte.
A morte súbita cardíaca é apontada como uma das principais causas de óbito entre fisiculturistas homens, segundo estudo publicado no ano passado no European Heart Journal. A pesquisa analisou mais de 20 mil atletas ligados à Federação Internacional de Fitness e Fisiculturismo entre 2005 e 2020.
“Tenho observado um número crescente de relatos de mortes prematuras entre pessoas envolvidas com fisiculturismo e fitness. Esses eventos trágicos, que frequentemente afetam atletas jovens e aparentemente saudáveis, evidenciam uma lacuna em nossa compreensão dos riscos à saúde a longo prazo associados ao fisiculturismo competitivo”, afirmou Marco Vecchiato, pesquisador da Universidade de Pádua, na Itália, e autor do estudo.
O levantamento identificou 121 mortes entre os competidores analisados, com média de idade de 45 anos. Desse total, 38% foram classificadas como mortes cardíacas súbitas. Segundo os pesquisadores, fisiculturistas profissionais apresentaram risco mais de cinco vezes maior de morte súbita em comparação com atletas amadores.
Entre os principais achados estavam casos de aumento do coração, espessamento do músculo cardíaco e doença arterial coronariana. Em algumas situações, exames toxicológicos e laudos públicos também apontaram abuso de substâncias anabolizantes.
Os anabolizantes, derivados da testosterona, são utilizados para acelerar o ganho de massa muscular, mas apresentam diversos riscos à saúde. Desde 2023, uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a prescrição dessas substâncias para fins estéticos ou de melhora de performance esportiva.
Além dos efeitos cardiovasculares, o uso indiscriminado pode provocar alterações psiquiátricas, danos ao fígado, infertilidade, perda da libido, atrofia testicular e alterações hormonais graves.
Outro alerta feito por especialistas envolve o uso inadequado de diuréticos, medicamentos indicados para tratar hipertensão e insuficiência cardíaca, mas frequentemente utilizados no meio fitness para reduzir retenção de líquidos e aumentar a definição muscular.


