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Caso 'Dark Horse': diretor da PF defende novo inquérito para apurar envio de recursos de Vorcaro aos EUA

PF suspeita que recursos enviados aos EUA tenham custeado despesas de Eduardo Bolsonaro

Andrei Rodrigues (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
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247 - O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, defendeu nesta terça-feira (2) a abertura de um novo inquérito para investigar o envio de recursos ao exterior sob a justificativa de financiamento do filme "Dark Horse". De acordo com ele, há indícios que justificam uma apuração específica sobre a destinação dos valores. Segundo o jornal Folha de São Paulo, uma das linhas investigativas busca esclarecer se parte dos recursos teria sido utilizada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

A PF também pretende verificar se os valores financiaram outras iniciativas de aliados de Jair Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump. Em entrevista à GloboNews, Andrei afirmou que a corporação analisou, nas últimas semanas, representações encaminhadas sobre o caso e enviou uma delas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá se manifestar sobre o conteúdo, a competência para condução do caso e a definição da relatoria.

"Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios", declarou.

Possíveis caminhos da investigação

Questionado sobre a possibilidade de a apuração tramitar separadamente das investigações já relacionadas ao Banco Master, Andrei respondeu que esse é o entendimento da área técnica da Polícia Federal. Segundo ele, trata-se de um conjunto de fatos novos que exigem análise própria.

"[É necessário] um processo separado porque é preciso analisar novos elementos que foram trazidos agora num eventual suporte de pessoas no exterior que estão confabulando e articulando contra o Brasil, inclusive coagindo no curso do processo, como é o caso de processo que já está em andamento", afirmou.

O diretor-geral da PF apontou três possibilidades para o andamento do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira seria a incorporação da investigação aos procedimentos já relacionados ao Banco Master, que estão sob relatoria do ministro André Mendonça. Outra alternativa seria a vinculação ao inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA. A terceira hipótese é a distribuição do processo por sorteio a outro ministro da Corte.

Transferências sob investigação

De acordo com a apuração, os recursos investigados teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. O caso ganhou repercussão após reportagem do Intercept Brasil revelar o financiamento do filme "Dark Horse" com recursos associados ao dono do Banco Master.

Na ocasião, o senador Flávio Bolsonaro afirmou, em nota, que era "falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro". Segundo o parlamentar, "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos."

A Polícia Federal pretende verificar se os recursos enviados ao exterior foram efetivamente utilizados na produção cinematográfica ou se parte deles foi destinada à manutenção de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado mudou-se para o país alegando "perseguição" por parte do ministro Alexandre de Moraes e já relatou dificuldades financeiras decorrentes do bloqueio de contas bancárias, inclusive de sua esposa.

Processo no STF

Eduardo Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em ação penal relatada por Alexandre de Moraes. A acusação sustenta que ele atuou para buscar sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras com o objetivo de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro relacionado à trama golpista.

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 21 de setembro, após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O documento reúne declarações públicas, entrevistas e publicações nas redes sociais atribuídas a Eduardo Bolsonaro sobre sua atuação junto a autoridades estadunidenses. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia por unanimidade.

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