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Caso Itumbiara reacende debate sobre feminicídio indireto

Inclusão da violência vicária na Lei Maria da Penha já foi aprovado na CCJ da Câmara

Caso Itumbiara reacende debate sobre feminicídio indireto (Foto: Reprodução)

247 — Uma proposta em tramitação na Câmara dos Deputados para alterar a Lei Maria da Penha e incluir a chamada violência vicária voltou ao centro do debate após o crime ocorrido em Itumbiara (GO). A discussão envolve o conceito do chamado feminicídio indireto, quando a violência contra a mulher é praticada por meio de terceiros ou atinge pessoas próximas à vítima.

O Projeto de Lei nº 3880/2024, de autoria da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), prevê a inclusão da violência vicária entre as definições de violência doméstica e familiar contra a mulher na Lei Maria da Penha. Em maio de 2025, a proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara. No dia do crime em Itumbiara, a parlamentar protocolou um requerimento de urgência para acelerar a votação do texto no plenário.

O caso de Itumbiara ganhou repercussão nacional nas redes sociais por conta da postagem feita pelo secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, que atirou contra os dois filhos e tirou a própria vida em seguida, alegando não suportar a separação e culpando a ex-mulher pelo seu crime.

Especialista em Direito de Família, o advogado Jaroslaw Daroszewski afirmou ao UOL que relações extraconjugais jamais podem ser usadas como argumento para justificar agressões ou crimes.

“Nos relacionamentos existe um dever de boa-fé, respeito e lealdade, previsto no Código Civil. Quando esse pacto é quebrado por uma traição, a consequência é no campo civil, como término, divórcio ou até eventual discussão de danos, a depender do caso. O que não pode acontecer é transformar sofrimento emocional em violência”, destacou o advogado em entrevista, ressaltando que a chamada “legítima defesa da honra” nunca foi prevista como excludente de ilicitude no Código Penal brasileiro.

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu de forma unânime que a tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, proibindo seu uso para justificar feminicídios ou agressões contra mulheres. A decisão consolidou o entendimento de que argumentos baseados em honra não podem relativizar crimes de violência de gênero.

O caso de Itumbiara reforçou a pressão para que o Congresso avance na discussão sobre violência vicária e mecanismos de proteção mais amplos às mulheres. Especialistas avaliam que a eventual inclusão do conceito na Lei Maria da Penha pode ampliar o reconhecimento jurídico de situações em que a violência é praticada de forma indireta, mas com impacto direto na vítima.

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