Caso Master: PF apura suspeitas de difamação e obstrução de justiça em ofensiva digital contra o BC
Investigação apura se influenciadores receberam dinheiro para atacar o BC no caso Banco Master
247 - A Polícia Federal (PF) investiga suspeitas de difamação e obstrução de justiça em um inquérito que apura a atuação de influenciadores digitais suspeitos de promover ataques coordenados contra o Banco Central (BC). A apuração busca esclarecer se houve uma tentativa deliberada de desinformar a opinião pública e de interferir no andamento de investigações criminais relacionadas ao caso do Banco Master.
Segundo a coluna da jornalista Camila Bomfim, do G1, a partir dos elementos reunidos até o momento, os investigadores avaliam a existência de indícios de crimes associados à produção e à disseminação de conteúdos que colocavam em dúvida a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master, sugerindo que a medida teria sido precipitada ou equivocada.
Indícios de difamação e desinformação
De acordo com a Polícia Federal, a suspeita é de que influenciadores digitais tenham recebido recursos financeiros para realizar uma ofensiva coordenada contra o Banco Central. As publicações analisadas até agora teriam como objetivo desacreditar o órgão regulador, atribuindo-lhe responsabilidade indevida no processo de liquidação da instituição financeira. Para os investigadores, esse tipo de ataque pode configurar o crime de difamação, ao atingir a reputação de um órgão técnico responsável pela supervisão do sistema financeiro nacional.
Suspeita de tentativa de obstrução de justiça
Além da difamação, a apuração também avalia a possibilidade de obstrução de justiça. Nesse caso, o foco da investigação é verificar se houve tentativa de influenciar o Poder Judiciário por meio da descredibilização do Banco Central, com o objetivo de interferir no curso das investigações criminais.
Com base no artigo 2º da Lei de Organizações Criminosas, a tentativa de impedir ou embaraçar investigações pode ser punida com reclusão de três a oito anos, além de multa, mesmo quando a ação não alcança o resultado pretendido.
Defesa nega envolvimento de Vorcaro em campanha contra o BC
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirma que “ele não tem em qualquer com a contratação ou difusão de fake news, tampouco com campanhas digitais de difamação contra autoridade pública. Ao contrário, sua defesa tem reiterado que Vorcaro é alvo de campanha difamatória e de disseminação orquestrada e sistemática de informações falsas que vêm prejudicando sua reputação nos últimos meses, muito antes da liquidação do Banco Master”.
Ainda segundo a nota da defesa, “Vorcaro já requereu a abertura de investigação específica para apurar a origem, autoria e responsabilidade pela produção e circulação dessas notícias falsas e ofensivas, justamente para afastar insinuações indevidas e permitir o esclarecimento completo dos fatos. A defesa permanece colaborando com as autoridades competentes e segue à disposição para contribuir com o avanço das apurações relacionadas a este e aos demais aspectos do caso."
Autorização do STF e próximos passos da investigação
O inquérito foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. A solicitação partiu da própria Polícia Federal, após uma análise preliminar das postagens que identificou possíveis indícios de condutas criminosas.
A investigação está relacionada à decisão tomada pelo Banco Central em novembro do ano passado, após uma operação da Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Vorcaro e outros integrantes da diretoria do Banco Master, acusados de fraudes financeiras. Nesta semana, a Justiça iniciou a fase de depoimentos dos investigados.

