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Caso Master: PF diz que Sicario cometeu suicídio na prisão sem pressão externa

Investigação aponta que Luiz Phillipi Mourão tirou a própria vida em cela da PF em Minas Gerais, sem participação de terceiros

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela PF como "sicário" de Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

247 - A Polícia Federal concluiu que a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como operador de uma estrutura ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ocorreu por suicídio dentro da prisão. Segundo a investigação, não houve indícios de pressão ou participação de terceiros no episódio registrado em março, na Superintendência da PF em Minas Gerais.

De acordo com informações divulgadas pelo G1 e confirmadas pela Folha de S.Paulo, Mourão se enforcou na cela no dia 4 de março, após ser detido durante a Operação Compliance Zero. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital, onde permaneceu internado por dois dias, mas teve a morte confirmada em 6 de março.

A conclusão da Polícia Federal será encaminhada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso. Posteriormente, o material deverá ser submetido à análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). Para chegar ao resultado, investigadores analisaram imagens de câmeras de segurança e coletaram depoimentos de testemunhas.

Mourão era considerado peça central de um grupo conhecido como “A Turma”, supostamente ligado a Vorcaro. Segundo a PF, ele coordenava atividades de obtenção de informações e monitoramento de pessoas de interesse do banqueiro. As investigações indicam que ele teria participado de conversas sobre tentativas de intimidação, incluindo um suposto plano de assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, além de outros episódios envolvendo ameaças e agressões.

Ainda de acordo com a apuração, Mourão teria acesso a bases de dados restritas, tanto no Brasil quanto no exterior, o que ampliava sua atuação dentro do grupo investigado. A Polícia Federal o apontava como executor de diversas dessas ações.

No momento da prisão, a defesa de Mourão afirmou que as acusações não correspondiam à realidade e que os fatos seriam esclarecidos após acesso completo aos autos da investigação.

Em Minas Gerais, onde era conhecido pelo apelido de “Mexerica”, Mourão tinha histórico policial relacionado a crimes como estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos e delitos contra a economia popular. Segundo policiais ouvidos pela Folha, esses registros não envolviam violência direta, e o perfil atribuído a ele era mais próximo ao de um golpista do que ao de alguém com atuação agressiva.

Relatos indicam que ele atuava como agiota e estaria envolvido em esquemas de pirâmide financeira, além de negócios fraudulentos ligados à compra e venda de veículos usados. Há também indícios de ligação com organizações criminosas associadas a jogos ilegais e apostas, com possíveis conexões com agentes públicos.

Mourão era réu desde 2021 em um processo que apura crimes contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, ele teria exercido papel de liderança em um esquema de pirâmide financeira iniciado em 2017, que prometia altos lucros para atrair investidores interessados na negociação de títulos e ativos. O caso tramita na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte e ainda não teve julgamento concluído.

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