Caso Master revela "máfia infiltrada na política brasileira", diz Jorge Folena
Jurista afirma que investigação expõe elo entre Banco Master, família Bolsonaro e suspeitas de financiamento contra o STF
247 - O jurista Jorge Folena afirmou, no Giro das Onze, do Brasil 247, que as investigações sobre o caso Banco Master apontam para uma estrutura criminosa com ramificações políticas e capacidade de interferir nas instituições. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (17), durante análise sobre a manutenção de prisões preventivas ligadas à família Vorcaro, a condenação de Eduardo Bolsonaro e suspeitas de repasses a agentes políticos.
Segundo Folena, o caso não pode ser tratado como episódio isolado. Para ele, os elementos já revelados indicam uma rede de influência que combina dinheiro, articulação política, desinformação e intimidação. “Nós estamos diante de uma máfia infiltrada na política pública brasileira a partir do Rio de Janeiro”, afirmou.
O jurista defendeu a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e de outros familiares. Na avaliação dele, a medida é necessária para impedir que investigados continuem a interferir na apuração. “Não há condições da família Vorcaro, nem do filho, do pai e dos primos estarem recolhidos em casa, porque em casa é como o Bolsonaro, eles vão, vai vazar, eles vão dar ordem”, disse.
Folena afirmou que, desde a intervenção no Banco Master e a prisão inicial de Daniel Vorcaro, teria sido montado um sistema de desinformação para embaralhar responsabilidades e proteger aliados. “Daniel Vorcaro tinha e tem na conta dele hackers, ele tem jornalistas, meios de comunicação, tem agentes infiltrados em vários lugares. Em vários lugares, inclusive na polícia”, declarou.
Ao comentar a divergência de Gilmar Mendes, que citou riscos semelhantes aos da Lava Jato, Folena disse compreender a preocupação com abusos, mas ressaltou que o caso Master tem características próprias. “Ele traz o método empregado pela Lava-Jato. Ele acha que esse manter o Vorcaro preso é uma forma de obrigá-lo a ter que fazer uma delação premiada”, afirmou. Ainda assim, o jurista sustentou que a preventiva é necessária porque os investigados, se soltos, “podem dificultar uma investigação que é longuíssima”.
Outro ponto destacado por Folena foi a tentativa de colaboração premiada atribuída a Daniel Vorcaro. Segundo ele, a proposta perdeu força ao omitir nomes relevantes. “Ele apresentou a colaboração sem citar Ciro Nogueira”, disse. O jurista afirmou que a Polícia Federal já teria apontado suspeitas de pagamentos e vantagens ligadas ao senador. “Ele poupou Ciro Nogueira, ele poupou Flávio Bolsonaro, ele poupou Cláudio Castro, ele poupou o Hugo Motta”, declarou.
Folena também relacionou o caso Master à condenação de Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto. Para ele, o deputado produziu provas contra si ao atuar nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, mas a responsabilização deveria alcançar outros personagens. “Faltou gente nessa condenação”, afirmou.
Na avaliação do jurista, Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Tarcísio de Freitas também deveriam ser investigados por suposto incentivo às ações de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo no exterior. Folena afirmou ainda que documentos divulgados pelo Intercept indicariam transferências ligadas a Vorcaro para sustentar Eduardo fora do país. “O dinheiro que sustenta Eduardo Bolsonaro no exterior é decorrente da máfia dito pelo André Mendonça”, disse.
Para Folena, a investigação revela um projeto de poder baseado na associação entre extrema direita e crime organizado. “Cada vez mais para mim vai ficando evidente que a extrema direita brasileira, os fascistas brasileiros, tinham um projeto de poder de associação com o crime organizado”, afirmou. Segundo ele, Daniel Vorcaro “não é o final desse elo”, e o avanço das apurações pode expor novas conexões entre política, finanças e estruturas criminosas.



