Polícia indicia pai de Vorcaro por lavagem de dinheiro
Investigadores apuram uso de imóveis penhorados em acordo de outra dívida; defesa nega relação com o caso Master
247 - A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por fraude à execução, estelionato e lavagem de dinheiro, em uma investigação sobre o uso de imóveis penhorados em um acordo de outra dívida. A apuração da Polícia Civil de Minas Gerais aponta que três imóveis em Arraial D'Ajuda, pertencentes a Henrique Vorcaro, estavam penhorados para garantir o pagamento de uma dívida de R$ 9,6 milhões. Os bens foram avaliados em junho de 2024 por uma oficial de Justiça em R$ 38 milhões.As informações foram publicadas nesta quarta-feira (17) pelo Portal G1.
A defesa negou relação com o caso da instituição bancária e afirmou que a apuração parte de uma acusação infundada. O indiciamento foi formalizado em 2 de junho e encaminhado à Justiça, que agora deverá avaliar se Henrique Vorcaro se tornará réu. O caso envolve imóveis que estavam vinculados ao pagamento de uma dívida de honorários advocatícios, mas que, de acordo com a investigação, teriam sido utilizados em uma escritura de dação para quitar obrigações sem relação com a cobrança original.
O valor devido, de quase R$ 10 milhões, beneficiaria o escritório Ferreira Pinto, Cordeiro, Santos e Maia Advogados Associados, ligado a honorários de um processo perdido por Henrique Vorcaro. Mesmo com a vinculação dos imóveis a essa dívida, os bens foram usados em outro acordo, sem relação com o pagamento inicialmente determinado.
De acordo com a investigação, os imóveis acabaram repassados a um fundo pelo valor de R$ 16 milhões. A dívida de R$ 9,6 milhões com o escritório de advocacia, porém, não foi quitada.
Para a Polícia Civil de Minas Gerais, a movimentação teria envolvido uma estrutura jurídica e financeira complexa. A conclusão dos investigadores é que a operação teria permitido ocultar patrimônio e frustrar o pagamento da dívida milionária referente aos honorários advocatícios.
O caso ocorre em meio a outro procedimento envolvendo Henrique Vorcaro. Nesta terça-feira, 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal manteve sua prisão preventiva no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele está preso desde maio.
Na investigação ligada à Operação Compliance Zero, Henrique Vorcaro é acusado de ser o responsável por demandar serviços e efetuar pagamentos a integrantes de uma estrutura paralela de vigilância e intimidação associada a Daniel Vorcaro.
A defesa de Henrique Vorcaro afirmou, em nota, que o indiciamento feito pela Polícia Civil de Minas Gerais diz respeito a uma investigação que “parte de uma acusação infundada, que nenhuma relação tem com o caso Master”.
Ainda segundo a defesa, “a controvérsia diz respeito exclusivamente à pretensão de de penhorar um imóvel que já havia sido anteriormente dado em garantia a outros credores, por contrato prévio de alienação fiduciária e posterior dação em pagamento”.



