Vorcaro tinha 'organização paramilitar' particular, descreve relatório da PF
Investigação aponta uso de fuzis, veículos blindados e estrutura armada por grupo ligado à família Vorcaro no Rio de Janeiro
247 - A Polícia Federal identificou indícios de que um grupo ligado à família Vorcaro mantinha uma estrutura armada com fuzis, veículos blindados e recursos descritos pelos investigadores como típicos de organizações paramilitares. A apuração menciona mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlaor do Banco Master, e aponta que o aparato teria sido colocado à disposição de interesses do banqueiro e de seu pai, Henrique Vorcaro.
Segundo a reportagem do Metrópoles, o grupo chamado “A Turma”, classificado pela investigação como uma espécie de milícia privada de Daniel Vorcaro, atuaria em ações de monitoramento e intimidação de pessoas consideradas desafetas da família. A PF afirma que o operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues, ligado aos Vorcaro, seria responsável por garantir a segurança do grupo paralelo com armamento de grosso calibre.
“Foram colhidos robustos indícios de que Manoel Mendes Rodrigues lidera uma organização fortemente armada no estado do Rio de Janeiro, com integrantes que realizam segurança privada portando diversos armamento de grosso calibre, incluindo fuzis, além de veículos blindados e outros recursos típicos de organizações paramilitares”, afirma trecho do relatório da PF, cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação sustenta que Manoel Mendes Rodrigues comandaria uma organização armada no Rio de Janeiro. O relatório também atribui a ele a defesa de ações violentas contra policiais que não fossem aliados do grupo. “Manoel, inclusive, propaga discursos em favor da morte de policiais militares que não trabalham junto com ele”, aponta o documento.
De acordo com a PF, integrantes do grupo realizavam segurança privada portando armamentos pesados, inclusive fuzis, além de utilizarem veículos blindados. Para os investigadores, a estrutura reunia características de organizações paramilitares e estaria disponível para atender interesses da família Vorcaro.
“Há indicativos de que tal aparato foi utilizado para garantir a segurança de empreendimentos e interesses econômicos do grupo, incluindo situações em que terceiros foram recebidos por indivíduos armados com fuzis e mediante o uso de veículos blindados, circunstâncias que, ao invés de transmitir segurança, causaram temor aos envolvidos”, registra a PF.
O relatório também menciona uma reunião na qual pessoas ligadas a Vorcaro teriam sido recebidas por homens armados e veículos blindados. Segundo os investigadores, participantes relataram medo diante da situação e compararam o ambiente à “Rússia do Putin”.
“Narram ademais que o indivíduo de nome Lucas sequer conseguia abrir a boca — indicando extremo temor diante da situação — e que os visitantes falaram que se sentiram na ‘Rússia do Putin’ — conhecida por seu aparato militar estruturado e com muito poder de fogo”, diz outro trecho do relatório.
Cobranças após morte de “Sicário”
A PF também afirma que Manoel Mendes Rodrigues teria atuado para viabilizar pagamentos e transferências patrimoniais à família de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, após sua morte.
De acordo com a investigação, a irmã de Luiz Phillipi, Joana Mourão, enviou mensagens a Henrique Vorcaro cobrando dinheiro depois da morte do criminoso. Nas conversas apreendidas, ela acusa o pai de Daniel Vorcaro de não prestar assistência financeira e ameaça comprometer a delação do dono do Banco Master.
Em outra mensagem citada pela PF, Joana Mourão afirma ter documentação suficiente “para acabar com a família inteira”. Segundo os investigadores, Henrique Vorcaro autorizou repasses com o objetivo de silenciá-la.
Ainda conforme a apuração, Sicário e Henrique Vorcaro integravam grupos liderados por Daniel Vorcaro que atuavam de maneira articulada para acessar dados protegidos e pressionar pessoas de interesse do Banco Master. A PF classificou essa estrutura como uma milícia privada associada ao banqueiro.



