Celso Amorim condena morte de Ali Khamenei: "ninguém pode se arrogar em juízo do mundo"
Assessor da Presidência classifica assassinato do líder supremo do Irã como inaceitável e alerta para precedente grave nas relações internacionais
247 - O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que é “totalmente condenável” e “inaceitável” a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-ministro das Relações Exteriores declarou que o episódio cria um precedente grave nas relações internacionais.
“Acho que, obviamente, matar um líder de um país, à distância, é totalmente condenável, é inaceitável. Ninguém pode se arrogar em juízo do mundo”, afirmou. Amorim ressaltou que sua posição não envolve julgamento sobre o governo iraniano: “Não estou entrando no mérito do governo iraniano, isso é outra questão, mas é para os iranianos julgarem e atuarem”.
Na avaliação do assessor, a ação não fortalece a oposição interna nem contribui para a estabilidade do país. “O que foi feito não é uma ajuda à oposição iraniana, se você imaginar, um ataque direto, enfim, um assassinato de um líder de outro país. Certo ou errado o líder, isso não me interessa, eu acho que isso é altamente condenável”, declarou.
Amorim também alertou para os desdobramentos da crise e avaliou que o cenário tende a ser prolongado e complexo. Ele lembrou que esteve no Irã em missões diplomáticas a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também visitou o país em iniciativas de diálogo. “O que eu pelo menos constatei é que é um país que obviamente tem divisões, tem uma oposição, tem várias coisas que nós podemos criticar do nosso ponto de vista, mas não é um país totalmente dividido, totalmente enfraquecido, totalmente debilitado”, disse.
Para o diplomata, não haverá solução simples. “É algo duradouro, não sei exatamente que direção isso vai tomar, mas não será uma questão simples. Não será, digamos assim, exagerando um pouco, um passeio, como foi a invasão do Iraque, também condenável, mas foi fácil. Nesse caso, é condenável e é muito complexa”, afirmou.
O líder supremo é a mais alta autoridade política e religiosa da Irã, cargo criado após a Revolução Islâmica de 1979 e que concentra amplos poderes institucionais. Desde 1989, a função era exercida por Khamenei, sucessor de Ruhollah Khomeini. A morte foi confirmada pelo governo iraniano e ocorreu em meio à escalada militar na região, após ataques contra estruturas do Estado atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.


