Centrais sindicais farão “lobby” pelo fim da escala 6x1 na Câmara
Sindicatos querem convencer deputados a aprovar o fim da escala 6x1 sem redução salarial nem manutenção das 44 horas semanais
247 - As centrais sindicais vão intensificar, ao longo de maio, a articulação na Câmara dos Deputados para defender o fim da escala 6x1 sem redução salarial nem manutenção das 44 horas semanais. As informações são da Folha de São Paulo.
A ofensiva sindical ocorre em reação à movimentação de empresários em Brasília para tentar barrar a proposta de redução da jornada de trabalho. As entidades pretendem municiar a comissão especial que analisará o tema nas próximas semanas e rebater os argumentos apresentados pelo setor empresarial.
A estratégia foi definida como uma espécie de “lobby sindical” em favor da proposta. O objetivo das centrais é acompanhar de perto a atuação dos empresários no Congresso e apresentar aos parlamentares uma narrativa voltada à defesa dos trabalhadores.
“Onde eles forem, nós vamos atrás para levar nossa narrativa”, afirmou o presidente da UGT, Ricardo Patah.
Sindicatos miram comissão especial da Câmara
Representantes das centrais se reuniram nesta terça-feira (5) com integrantes da comissão especial responsável por discutir o fim da escala 6x1. Participaram do encontro o presidente do colegiado, deputado Alencar Santana (PT-SP), e o relator da proposta, deputado Léo Prates (Republicanos-BA).
Na reunião, os sindicalistas defenderam que a discussão avance sem mudanças que enfraqueçam o texto original. Uma das principais preocupações das entidades é a inclusão de possíveis “jabutis”, termo usado no Congresso para designar dispositivos inseridos em uma proposta sem relação direta com o conteúdo principal.
As centrais também deixaram claro que não aceitam uma solução que reduza o salário dos trabalhadores ou mantenha a jornada em 44 horas semanais. Para os representantes sindicais, a mudança deve significar redução efetiva da carga de trabalho.
Debate envolve transição e impacto sobre mulheres
Outro ponto discutido foi a eventual criação de uma regra de transição para que o fim da escala 6x1 passe a valer. As centrais sindicais defendem que a mudança seja imediata. Deputados, porém, afirmaram que a construção de um texto capaz de ser aprovado exigirá algum período de adaptação.
“Nossa proposta é imediata, após 38 anos da última mudança na jornada de trabalho. Portanto, isso é muito possível, mas entendemos que tem que ser um relatório que seja aprovado e não rejeitado pelos parlamentares”, disse o vice-presidente da Força Sindical, Sérgio Canuto da Silva.
As entidades também devem reforçar o discurso adotado por governistas sobre o impacto da escala 6x1 na vida das mulheres. A avaliação é que elas estão entre as mais prejudicadas pelo modelo atual de jornada, especialmente diante da sobrecarga de trabalho e das responsabilidades familiares.


