Centrais sindicais repudiam ataque dos EUA à Venezuela e denunciam ingerência imperialista
CUT, Força Sindical e outras entidades afirmam que ofensiva ameaça soberania regional e defendem solução pacífica
247 - As principais centrais sindicais brasileiras divulgaram neste sábado (3) uma manifestação conjunta em que condenam de forma contundente a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela. No documento, as entidades classificam a ofensiva como uma ação golpista e imperialista, voltada ao controle geopolítico da América Latina e à apropriação das riquezas energéticas do país sul-americano, especialmente o petróleo.
A nota, enviada ao Brasil 247, sustenta que a justificativa apresentada por Washington — o suposto combate ao narcotráfico — não passa de um pretexto. Para as centrais, a ação integra uma estratégia histórica de ingerência externa que busca enfraquecer projetos soberanos na região e limitar a articulação de países latino-americanos em blocos como o BRICS.
“Condenamos de forma contundente e inequívoca o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. O imperialismo age para retomar o controle sobre a América Latina, apropriar-se do petróleo venezuelano e enfraquecer o BRICS. Nunca se tratou de democracia. A alegação de combate ao narcotráfico também não passa de uma cínica hipocrisia”, afirmam as entidades no texto.
As centrais alertam que o cerco à Venezuela não é um fenômeno recente, mas resultado de um processo construído ao longo de décadas. Segundo o documento, a pressão se intensificou a partir do momento em que o país passou a adotar um projeto de desenvolvimento independente. “O cerco à Venezuela vem sendo construído há décadas, desde que Hugo Chávez lutou para implementar no país um projeto de desenvolvimento independente e soberano, algo que os Estados Unidos jamais aceitaram”, diz a manifestação.
O texto também faz referência direta ao sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ocorrido neste sábado, classificando o episódio como um divisor de águas no cenário geopolítico regional. Para as centrais, a ação escancara a disputa entre forças imperialistas e aqueles que defendem a autodeterminação dos povos. O documento atribui a ofensiva ao governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, apontando que a ação se aproveitou do isolamento internacional imposto à Venezuela.
“Cabe exclusivamente ao povo venezuelano, e não a potências estrangeiras, decidir sobre o seu próprio destino”, afirmam as entidades, ao alertar que a intervenção representa uma ameaça não apenas à Venezuela, mas também ao Brasil, à América Latina e ao equilíbrio global. Segundo o texto, a história demonstra que a ingerência norte-americana tende a aprofundar desigualdades, impor arrocho econômico e desmontar políticas sociais.
As centrais sindicais defendem que o governo brasileiro atue de forma ativa em apoio ao povo venezuelano e na preservação da estabilidade regional. Ao final, reafirmam compromissos considerados inegociáveis: a defesa do multilateralismo, da solução pacífica de conflitos, da soberania, do diálogo e da autodeterminação dos povos.
A manifestação é assinada por dirigentes da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, Nova Central Sindical de Trabalhadores, Intersindical e Pública Central do Servidor, que concluem com um chamado à união “contra a guerra, contra a intervenção e em favor da paz e da integração latino-americana”.



