Brian Winter vê captura de Maduro como marco histórico nas relações EUA-América Latina
Jornalista afirma que ação recoloca Washington como “polícia” regional e levanta dúvidas sobre os próximos passos na Venezuela
247 - A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, deflagrada neste sábado (3), provocou forte repercussão entre analistas internacionais. Para o jornalista Brian Winter, especialista em América Latina, a captura do presidente Nicolás Maduro representa uma das decisões mais impactantes já tomadas por Washington na relação com a região, com efeitos ainda imprevisíveis para o futuro político venezuelano e para o equilíbrio continental.
Em análise divulgada nas redes sociais, Winter avalia que a ação marca o retorno explícito dos Estados Unidos ao papel de força policial em sua chamada “esfera de influência”, uma lógica que, segundo ele, moldou grande parte dos séculos 19 e 20, mas havia perdido força após o fim da Guerra Fria.
Segundo Winter, “a captura de Nicolás Maduro por Donald Trump é uma das decisões mais decisivas da história das relações entre os Estados Unidos e a América Latina”. Ele ressalta, no entanto, que ainda há muitas perguntas sem resposta. “A operação confirma o retorno de Washington como polícia em sua ‘esfera de influência’, uma ideia que definiu grande parte dos séculos 19 e 20, mas que havia se dissipado desde o fim da Guerra Fria”, afirmou.
O jornalista traça paralelos históricos ao comparar a ação atual a intervenções passadas. “Em certos aspectos, isso lembra não apenas o Panamá em 1989, mas também a Nicarágua ou a República Dominicana nos anos 1910 — invasões destinadas a derrubar líderes que Washington considerava uma ameaça à segurança nacional”, escreveu. Ao mesmo tempo, ele destaca diferenças relevantes: “Em outros aspectos, isso é totalmente novo: a Venezuela é um país sul-americano grande e complexo, e os próximos passos são difíceis de prever”.
Winter aponta que as principais incógnitas agora dizem respeito às reações internas e ao grau de envolvimento futuro dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump. “As grandes questões agora são: como o povo venezuelano vai reagir? Trump irá comprometer mais tropas para garantir uma transição para a democracia, se isso se mostrar necessário?”, questionou.
Na avaliação do jornalista, esse aprofundamento pode nem ocorrer. “Talvez não seja necessário: Maduro era ao mesmo tempo ilegítimo e extremamente impopular, e os militares venezuelanos podem estar em completo pânico depois que os Estados Unidos decapitaram o regime com eficiência extraordinária”, afirmou, ao lembrar que “foram necessários nove meses após a invasão do Iraque para capturar Saddam Hussein”.
Por fim, Brian Winter chama atenção para os impactos regionais mais amplos da ofensiva. “Quais serão as consequências para Cuba, México e Colômbia?”, indagou, antes de concluir que o momento exige cautela. “Por ora, é preciso aguardar mais detalhes. Um dia verdadeiramente histórico”, concluiu.



