Choquei atuou como escudo de investigados por apostas ilegais, diz PF
Documentos indicam uso da página para promover apostas e suavizar crises de investigados
247 - A Polícia Federal (PF) identificou a página Choquei como parte relevante de um esquema financeiro que teria movimentado mais de R$ 260 bilhões, envolvendo artistas e influenciadores digitais, aponta a jornalista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles. De acordo com a investigação, o perfil não atuaria apenas como veículo de mídia, mas também teria sido utilizado para promover plataformas e auxiliar na gestão de imagem dos envolvidos.
O responsável pela página, Raphael Sousa Oliveira, aparece vinculado ao núcleo financeiro do grupo, com recebimento de valores e atuação na chamada “lavagem de reputação”.
De acordo com os investigadores, Raphael teria atuado como intermediário em operações que envolviam repasses e divulgação de conteúdos. O relatório aponta: “Agente associado às PJs em suposto smurfing fiscal operando recebimentos de Tiago e Ryan para suposta blindagem moral corporativa e de influências nas apostas online.”
A PF também sustenta que o perfil foi utilizado para divulgar plataformas de apostas ilegais e, simultaneamente, minimizar repercussões negativas envolvendo integrantes do grupo. Segundo o documento, “Raphael recebeu tais valores para divulgar links de afiliação (CPA) ou rifas, conferindo-lhe indevida publicidade e legitimidade, além da possibilidade de ter havido um trabalho de gestão de imagem, para tentar abafar publicamente as polêmicas envolvendo ‘Mc Ryan’”.
Outro ponto destacado na investigação envolve transferências diretas de recursos. Conforme os dados levantados, “Ryan Santana dos Santos transferiu R$ 270.000,00 em 10/10/2024 a 16/10/2025. Transferência direta de Pessoa Física para Pessoa Física. A ausência de intermediação das pessoas jurídicas dos envolvidos impede a rastreabilidade fiscal do serviço, sugerindo informalidade, distribuição de lucros não contabilizados ou ocultação patrimonial. Assim, acredita-se que o pagamento se refere a ‘Blindagem de Imagem’, ‘Lavagem de Reputação’.”
Ainda segundo a PF, há indícios de centralização de valores em contas pessoais, o que pode caracterizar confusão patrimonial.
Operação Narco Fluxo
A apuração faz parte da Operação Narco Fluxo, deflagrada na quarta-feira (15), com a participação de mais de 200 policiais federais. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária.
Entre os alvos estão o cantor MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário do esquema, além de MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, o influenciador Chris Dias e sua esposa, Débora Paixão.
Durante a operação, foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, documentos e equipamentos eletrônicos.
Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava empresas ligadas ao setor artístico e digital para misturar receitas lícitas com recursos provenientes de atividades ilegais, como tráfico de drogas, apostas clandestinas e rifas virtuais.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens associados aos investigados, como parte das medidas para conter o avanço do esquema.


