PF aponta “simbiose” entre música e crime em esquema com MC Ryan
Investigação da PF aponta uso da carreira musical para lavar dinheiro e movimentar mais de R$ 260 bilhões em esquema ligado a apostas e ao PCC
247 - A Polícia Federal identificou uma relação direta entre o setor de entretenimento e atividades ilícitas em um esquema bilionário que envolve o cantor MC Ryan SP, informa o Metrópoles. Segundo as investigações, a estrutura da carreira artística teria sido utilizada para ocultar e movimentar recursos ilegais em grande escala, com indícios de integração entre receitas musicais e dinheiro de origem criminosa.
De acordo com a PF, MC Ryan é apontado como peça central da operação, descrito como “alvo central da associação criminosa investigada”. Ainda segundo os investigadores, ele “usufrui e gere a máquina de faturamento dissimulada, mesclando música ao risco oriundo do mercado das casas de aposta (Bets) e do PCC”.
As autoridades destacam que atividades legítimas, como shows e contratos musicais, teriam sido utilizadas para dar aparência legal aos valores ilícitos. O modelo investigado permitia “esquentar” dinheiro ao misturá-lo com receitas reais provenientes do entretenimento, dificultando a identificação da origem dos recursos.
A operação, batizada de Narco Fluxo, foi deflagrada na quarta-feira (15/4) com a mobilização de mais de 200 policiais federais. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária. Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões.
Durante a ação, foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, além de documentos e equipamentos eletrônicos. Entre os detidos estão MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário do esquema, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira — responsável pela página Choquei —, o influenciador Chris Dias e sua esposa, Débora Paixão.
As investigações indicam que o grupo utilizava empresas ligadas ao setor artístico e digital para integrar receitas legais com recursos provenientes de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas virtuais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens relacionados aos investigados.


