PF aponta repasse suspeito a MC Gui em esquema do PCC
Polícia Federal investiga transação de R$ 150 mil feita por operador ligado a MC Ryan
247 - A Polícia Federal identificou uma transferência financeira considerada suspeita envolvendo o funkeiro MC Gui em meio a investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria movimentado ao menos R$ 1,6 bilhão, segundo o Metrópoles.
O nome de MC Gui apareceu em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que analisou movimentações atribuídas a Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como “Belga”, apontado como operador do funkeiro MC Ryan, preso durante a operação Narco Fluxo.
Transação sob investigação
Segundo os investigadores, em 2024, Alexandre realizou uma transferência de R$ 150 mil para Guilherme Kauê Castanheira Alves, o MC Gui. No documento, delegados da Polícia Federal afirmam: “Após atuar na linha de frente como ‘escudo’ e recepcionar milhões das processadoras de apostas, Alexandre repassa, em uma única transação, a quantia de R$ 150 mil para Guilherme Kauê Castanheira Alves, nacionalmente conhecido como o cantor ‘Mc Gui'”.
A PF também avalia que a movimentação pode indicar um padrão de circulação de recursos entre influenciadores envolvidos. “O repasse efetuado por Alexandre sugere que o dinheiro ilícito transita livremente entre os influenciadores do grupo, indicando possivelmente o pagamento por parcerias de divulgação de jogos, distribuição de lucros do esquema ou a contínua mescla de capitais suspeitos sob a fachada do entretenimento”, destacaram os investigadores.
Contexto da operação Narco Fluxo
A operação Narco Fluxo resultou na prisão de MC Ryan Santana dos Santos, apontado como líder do esquema, além de outras dezenas de pessoas. As investigações indicam que ele utilizava empresas ligadas à produção musical e sua presença nas redes sociais para misturar receitas legais com dinheiro oriundo de apostas ilegais e rifas digitais.
Além de MC Ryan, a ação policial também teve como alvos outros nomes conhecidos, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa, responsável pela página Choquei.
Estrutura do esquema
Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso teria operado uma rede complexa de lavagem de dinheiro, com atuação no Brasil e no exterior. O dinheiro, após passar por diferentes etapas de ocultação, era reinserido na economia formal por meio da compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros bens.
A investigação também aponta que participações societárias teriam sido transferidas para terceiros, incluindo familiares, com o objetivo de ocultar patrimônio. Além disso, há indícios de que operadores de mídia eram pagos para divulgar conteúdos favoráveis ao grupo e minimizar impactos negativos das investigações.
Outros envolvidos e desdobramentos
O relatório ainda menciona movimentações envolvendo outras figuras públicas. Entre elas, uma empresa ligada a Pablo Marçal, que teria enviado R$ 4,4 milhões a MC Ryan, e a influenciadora Deolane Bezerra, que recebeu R$ 430 mil da produtora do funkeiro e posteriormente transferiu R$ 1,16 milhão ao Instituto Neymar Jr.
Procurada pelo Metrópoles, a equipe de MC Gui não se manifestou até o momento sobre a citação no relatório da Polícia Federal.


