HOME > Brasil

Ciro Nogueira classifica candidatura de Tarcísio como "improvável" e concentra aposta em Flávio

Presidente do Progressistas afirma que candidatura do governador paulista é improvável

Ciro Nogueira (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

247 - O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Progressistas (PP), afirmou que considera descartada a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputar a Presidência da República nas eleições deste ano. Segundo ele, o partido passou a concentrar suas apostas na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recebeu a indicação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As declarações foram dadas em entrevista à Folha de S.Paulo, à qual Ciro avaliou que o cenário presidencial no campo bolsonarista está praticamente definido. “Eu vejo como já descartada a candidatura do Tarcísio à Presidência”, disse o senador, ao afirmar também que considera irreversível a entrada de Flávio Bolsonaro na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O posicionamento marca uma mudança de discurso do próprio Ciro Nogueira. No início de dezembro, logo após Flávio anunciar sua pré-candidatura, o presidente do PP havia classificado o projeto do filho de Bolsonaro como inviável e defendido alternativas, entre elas o nome de Tarcísio. Agora, segundo o senador, qualquer tentativa do governador paulista de se lançar ao Planalto dependeria de um aval explícito de Jair Bolsonaro, algo que ele avalia como improvável no atual contexto político.

Além disso, Tarcísio tem reforçado movimentos que o colocam como candidato à reeleição ao governo paulista, e não como presidenciável. O governador, que está de férias nos Estados Unidos e deve retomar a agenda oficial na próxima semana, já declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, em 8 de dezembro, três dias após o senador anunciar que havia sido indicado pelo pai.

Enquanto a disputa presidencial se reorganiza, o PP vive tensões em São Paulo. Na semana passada, o partido divulgou uma carta pública com críticas ao governador, na qual informou que avalia lançar candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes. O documento foi elaborado pelo presidente do diretório estadual, deputado federal Maurício Neves, com aval de Ciro Nogueira.

Na carta, o PP cita “crescente descontentamento de prefeitos” da legenda com a gestão Tarcísio, além de “queixas recorrentes sobre a falta de atenção a parlamentares”, como justificativa para a possibilidade de rompimento da aliança. O texto também critica a suposta falta de apoio do governador ao então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP-SP), que deixou o cargo no início de dezembro para se preparar para a disputa ao Senado.

“O partido, que tem o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite como pré-candidato ao Senado, também avalia como insuficiente o apoio público e concreto do governador ao seu projeto majoritário”, diz o texto divulgado pelo PP.

Apesar das críticas, Ciro Nogueira afirmou que prefere manter Tarcísio como candidato ao governo estadual, desde que o partido tenha maior espaço político em um eventual novo mandato. “Existe um descontentamento. Mas acho que ele [Tarcísio] é o melhor caminho para viabilizar a campanha do Derrite”, afirmou o ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro.

A carta do PP foi minimizada por auxiliares próximos ao governador no Palácio dos Bandeirantes e gerou ruído interno na federação formada por PP e União Brasil. Sob reserva, um aliado de Tarcísio destacou que, em São Paulo, o comando da federação está com o União Brasil, e não com o PP.

O presidente do diretório paulista do União Brasil, Milton Leite, afirmou que o possível desembarque do PP da aliança não foi discutido formalmente. “Este tema não foi discutido na federação, que seguirá ao lado de Tarcísio”, declarou o ex-vereador paulistano.

O próprio Guilherme Derrite reiterou publicamente seu apoio ao governador. Em nota enviada à Folha, o deputado afirmou que “respeita integralmente as decisões e instâncias do partido”, mas classificou as discussões como “especulações sobre o posicionamento partidário nas próximas eleições”.

“No plano pessoal e político, o deputado reafirma sua posição de lealdade ao projeto do atual governador e deixa claro que não atuaria em sentido contrário nem apoiaria outra candidatura à reeleição enquanto perdurar essa relação construída no exercício da gestão pública”, diz a nota da assessoria de Derrite.

Do lado presidencial, Flávio Bolsonaro adotou um tom conciliador em relação ao PP. Em entrevista concedida nesta terça-feira (6) ao influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, o senador afirmou que sua relação com Ciro Nogueira é “muito boa”. “Acredito de verdade que eles virão para nosso palanque, não sei se mais cedo ou mais tarde”, disse.

Artigos Relacionados