HOME > Brasil

Compliance Zero: ação da PF tem familiares de Vorcaro e empresários como alvos

Segunda fase da operação amplia investigações e determina bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens

Compliance Zero: ação da PF tem familiares de Vorcaro e empresários como alvos (Foto: Divulgação/Arquivo/PF)

247 - A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, aprofundando as investigações sobre um amplo esquema de irregularidades financeiras que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro. A nova etapa da operação ampliou o rol de investigados e passou a atingir tanto familiares próximos do banqueiro quanto empresários com atuação relevante no mercado financeiro, entre eles Nelson Tanure e o ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.

Ao todo, estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados — São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Parte das diligências ocorreu em endereços localizados na Avenida Faria Lima, em São Paulo, um dos principais centros financeiros do país.

Entre os novos alvos estão a irmã, o cunhado e um primo de Daniel Vorcaro, suspeitos de participação em estruturas paralelas de movimentação financeira. Segundo os investigadores, esses familiares teriam auxiliado na circulação e na ocultação de recursos oriundos de operações consideradas fraudulentas, relacionadas ao Banco Master.

Durante as buscas, agentes da Polícia Federal apreenderam carros de luxo, incluindo modelos da BMW e da Land Rover, além de armas de fogo, munições e relógios de alto valor. Todo o material recolhido será analisado no âmbito da investigação patrimonial, que busca mapear a origem dos bens e identificar eventuais incompatibilidades com a renda declarada dos investigados.

Além das apreensões, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o sequestro e o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. A operação apura crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. As autoridades estimam que o montante total das fraudes sob investigação possa alcançar R$ 12 bilhões.

Nesta fase, a operação também passou a incluir o empresário Nelson Tanure entre os alvos. Conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras, Tanure já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal em São Paulo no fim do ano passado. De acordo com a acusação, ele teria feito uso de informações privilegiadas para obter vantagens no mercado de capitais, em operações envolvendo ações da construtora Gafisa, da qual é acionista. Esse caso integra um conjunto mais amplo de apurações sobre práticas irregulares no sistema bancário e corporativo.

João Carlos Mansur, fundador da Reag, também é um dos alvos da operação. Ele tem passagens por grandes empresas e fundou a gestora de fundos em 2012, atingindo um crescimento em ritmo acelerado através da aquisição de mandatos de fundos exclusivos – usados, por exemplo, para administração de patrimônio e geralmente com apenas um cotista.

O foco central da Compliance Zero segue sendo o Banco Master, instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central após a primeira fase da operação, realizada em novembro do ano passado. Na ocasião, sete pessoas foram presas, sendo cinco de forma preventiva e duas temporariamente. Segundo a Polícia Federal, o banco teria comercializado Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de rendimentos até 40% superiores à taxa média do mercado, prática considerada incompatível com padrões financeiros regulares.

Paralelamente às ações policiais, o caso ganhou novos desdobramentos no campo institucional. Na noite de segunda-feira (12), o Banco Central decidiu retirar os embargos de declaração apresentados ao Tribunal de Contas da União (TCU) que questionavam a determinação do relator, ministro Jhonatan de Jesus, para a realização de uma inspeção no órgão regulador. A inspeção tem como foco os procedimentos adotados na liquidação do Banco Master.

A retirada do recurso ocorreu após uma reunião entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. Com a desistência, o tema deixou de ser apreciado pelo plenário da Corte, cuja análise estava prevista para o próximo dia 21.

Segundo Vital do Rêgo, o Tribunal de Contas não pretende interferir em eventual decisão do Banco Central sobre a liquidação do Banco Master, mas busca acesso à documentação do processo para verificar a regularidade dos procedimentos adotados. De acordo com o presidente do TCU, o Banco Central concordou em fornecer as informações solicitadas. A desistência dos embargos foi formalizada oficialmente na manhã de terça-feira (13) pela AudBancos, área técnica do tribunal responsável pela fiscalização do sistema financeiro nacional.

Artigos Relacionados