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Defesa de Vorcaro monta força-tarefa para fechar delação premiada

Equipe jurídica intensifica negociações para acelerar delação no caso Banco Master e definir ressarcimento bilionário

Foto mostra o banqueiro Daniel Vorcaro na prisão (Foto: Reprodução )

247 - A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro estruturou uma força-tarefa jurídica com o objetivo de acelerar um acordo de colaboração com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP), no contexto das investigações sobre a fraude bilionária envolvendo o Banco Master. A iniciativa busca viabilizar uma solução jurídica ainda em abril, diante do avanço das apurações e do aumento da pressão sobre o empresário em diferentes instâncias do Judiciário, informa Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Os advogados atuam de forma intensiva, trabalhando “diuturnamente” na elaboração de uma proposta detalhada, que deverá ser acompanhada por um amplo conjunto de documentos e anexos. A estratégia inclui organizar dados extraídos do celular de Vorcaro, já periciado pela Polícia Federal, além de reunir evidências que possam sustentar os relatos a serem apresentados no eventual acordo.

Para cumprir o prazo considerado apertado, a defesa reuniu cerca de dez advogados, divididos entre os escritórios dos criminalistas José Luís Oliveira Lima e Sergio Leonardo. Cada equipe mobilizou profissionais dedicados exclusivamente à preparação do material, incluindo a análise de informações apreendidas e a busca por provas que reforcem a narrativa do banqueiro.

Nos bastidores, investigadores avaliam que o cronograma de cerca de 60 dias pode ser insuficiente diante da complexidade do caso. Além da extensão da possível delação, ainda será necessário definir valores de ressarcimento a investidores e à União, bem como as condições para eventual cumprimento de pena. O montante que Vorcaro se dispuser a devolver é considerado peça central para o fechamento do acordo.

Fontes ligadas ao ex-banqueiro indicam que ele teme a dissipação de parte significativa de sua fortuna, distribuída em fundos no Brasil e no exterior. Mesmo após a liquidação do Banco Master, Vorcaro teria mantido bilhões de reais alocados em uma rede complexa de investimentos administrados por gestoras externas. Estimativas apontam que mais de R$ 10 bilhões ainda estariam espalhados em diferentes países.

A colaboração com as autoridades incluiria a indicação precisa da localização desses recursos, o que permitiria o bloqueio dos valores. Essa medida é vista como essencial para viabilizar o uso do dinheiro desviado como parte do acordo judicial. A urgência nas negociações estaria diretamente ligada à necessidade de garantir que os ativos permaneçam disponíveis.

Outro fator que agrava a situação é a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em novembro de 2025. Desde então, os ativos da instituição estão sob controle do liquidante Eduardo Bianchini, responsável por administrar os bens e organizar a lista de credores. Estimativas indicam que pelo menos R$ 4,8 bilhões em ativos ligados a Vorcaro já teriam sido desviados antes da intervenção.

A preocupação com a dispersão dos recursos já era um ponto de tensão para o banqueiro desde sua primeira prisão. O cenário se intensificou com o período de isolamento no sistema prisional e a posterior transferência para a carceragem da Polícia Federal em Brasília, que marcou o início das negociações para um possível acordo de colaboração.

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