Defesa pede transferência de Vorcaro para a Papudinha após PF rejeitar delação
Advogados alegam condições precárias em cela da superintendência da PF após banqueiro ser levado para área comum
247 - A defesa de Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (21), a transferência dele para a Papudinha, instalação militar localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. Segundo o SBT News, o pedido foi apresentado um dia após a cúpula da Polícia Federal (PF) rejeitar a proposta de delação premiada formulada pelo banqueiro.
Os advogados solicitaram a mudança depois que Vorcaro foi transferido para uma cela comum na superintendência da PF em Brasília (DF). A defesa afirma que o espaço tem condições precárias e relata restrições no acesso aos advogados.
De acordo com o pedido enviado ao STF, Vorcaro dispõe apenas de uma cama de alvenaria na cela em que está detido. Os advogados também apontam problemas no banheiro da unidade. Na solicitação, a defesa argumenta que, caso seja levado para a Papudinha, o banqueiro poderá ficar em uma sala de Estado-Maior e deixará de estar submetido às regras da Polícia Federal.
Investigações
Números divulgados na última segunda-feira (18) pela Agência Brasil apontaram que a Operação Compliance Zero chegou a seis meses com R$ 27 bilhões em bens e valores bloqueados, 21 prisões temporárias e 116 mandados de busca e apreensão no caso Banco Master. A Polícia Federal já conduziu seis fases da apuração, que envolve prejuízo estimado em dezenas de bilhões de dólares e suspeita de maior fraude já registrada contra o Sistema Financeiro Nacional.
A primeira fase da operação ocorreu em 18 de novembro e levou à prisão de sete pessoas, entre elas Daniel Vorcaro. Naquele momento, a PF passou a investigar a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, apontadas como títulos sem garantia real.
Fraude bilionária, BRB e liquidação do Master
A investigação atingiu também o Banco de Brasília. O BRB, instituição ligada ao governo do Distrito Federal, negociava a compra do Banco Master, mas o Banco Central barrou a operação antes da ação da PF. Mesmo sem concluir a aquisição, o banco público comprou parte dos títulos do Master que a investigação aponta como fraudados.
O avanço do caso chegou à cúpula do BRB. A apuração levou ao afastamento do então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, que agora está preso e negocia delação premiada. Daniel Vorcaro também tenta fechar acordo com a Justiça para esclarecer os crimes atribuídos a ele em troca de eventual redução de pena.
O Banco Central, em meio à escalada da crise, oficializou a liquidação judicial do conglomerado do Banco Master. A medida alcançou também Letsbank, Will Bank e Banco Pleno, ampliando o impacto da investigação sobre o setor financeiro.
O Fundo Garantidor de Crédito já desembolsou R$ 49 bilhões para ressarcir parte dos clientes do Master. O valor revela a dimensão da crise e reforça o alcance sistêmico da suspeita de fraude investigada pela Polícia Federal.
Mais etapas
As fases seguintes da Compliance Zero ocorreram em janeiro, março, abril e maio. A PF passou a mapear uma rede de influência associada ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, com foco em operadores financeiros, intermediários e estruturas empresariais que podem ter ajudado na movimentação de recursos.
A fase mais recente da Operação Compliance Zero ocorreu em 14 de maio e levou à prisão preventiva de mais seis pessoas. Entre os presos estava Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, após a investigação apontar que ele ainda atuava na gestão da estrutura usada para atacar opositores do esquema.



