Delegados da PF criticam novo texto do PL Antifacção: 'decepção, ninguém foi consultado'
Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal diz que não foi consultada e critica ausência de recursos ao Funapol no texto do projeto
247 - A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) manifestou reação ao novo texto do Projeto de Lei Antifacção, que deve ser analisado pela Câmara dos Deputados. A entidade afirma que as alterações promovidas no relatório representam prejuízo à corporação e foram feitas sem diálogo com seus representantes. As informações são da coluna da jornalista Milena Teixeira, no Metrópoles.
Segundo a publicação, o relator da proposta, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), reincluiu no parecer um trecho aprovado pelos parlamentares em 2025 que prevê a divisão dos recursos provenientes de bens apreendidos entre a Polícia Federal e os estados.
ADPF fala em decepção com novo relatório
O presidente da ADPF, Edvandir Felix de Paiva classificou o novo texto como uma “decepção” e afirmou que os diretores da entidade não foram consultados durante a elaboração do relatório.
“É uma decepção. O relatório foi prejudicial à Polícia Federal. No Senado, conseguimos inserir mecanismos importantes, mas tudo foi retirado, tudo foi ignorado. As mudanças feitas agora tendem a criar mais confusão, em vez de fortalecer o trabalho da Polícia Federal”, declarou.
O dirigente também criticou a ausência de previsão de recursos específicos para a corporação. “Não há uma linha que destine recursos ao Funapol, da Polícia Federal. Não houve negociação com o diretor-geral, Andrei Rodrigues, e tampouco com o número dois da instituição. O resultado final não foi bom”, afirmou.
Divisão de recursos e retorno do projeto à Câmara
O PL Antifacção já havia sido aprovado pela Câmara em 19 de novembro de 2025, após seis versões apresentadas por Guilherme Derrite. Na ocasião, o texto recebeu 370 votos favoráveis e 110 contrários.
A versão aprovada, contudo, gerou críticas no âmbito do Executivo, que articulou mudanças junto aos senadores. Como houve alterações no Senado, o projeto precisou retornar à Câmara para nova análise.
O texto contou ainda com o envolvimento do presidente da Casa, Hugo Motta, que indicou Derrite para a relatoria. A decisão foi alvo de críticas por parte do governo e influenciou o vaivém de pareceres apresentados pelo parlamentar.
Ministério da Justiça analisa duas versões
Sob o comando do ministro Wellington Cesar, o Ministério da Justiça passou a considerar, na semana passada, tanto a versão aprovada no Senado quanto o relatório apresentado por Guilherme Derrite.
O novo secretário de Assuntos Legislativos da pasta, Paulo Modesto, afirmou que as duas propostas estão sendo avaliadas. “Estamos trabalhando com os dois textos para avaliar o que é possível avançar. Eles estão sendo analisados por nossa equipe técnica, em coordenação com o ministério”, declarou.


