Deputada Carol Dartora registra ameaças racistas e aciona PF e Câmara por segurança
Parlamentar do PT relata e-mail com ameaças de morte, estupro e tortura e envia ofícios a sete autoridades para investigação e proteção institucional
247 - A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) comunicou a autoridades brasileiras e internacionais o recebimento de ameaças graves de violência, incluindo morte, tortura e estupro, enviadas por e-mail na madrugada deste domingo (15). Nos documentos encaminhados aos órgãos competentes, a parlamentar relata que a mensagem contém ataques racistas, misoginia e incitação à violência contra a população LGBTQIA+, além de apresentar descrição detalhada de agressões e assassinato dirigidos a ela.
Segundo os registros encaminhados às autoridades, a mensagem foi enviada durante a madrugada para o e-mail institucional da deputada. O conteúdo chegou por meio de um serviço de correio eletrônico criptografado com servidores no exterior, tecnologia frequentemente utilizada para dificultar o rastreamento por autoridades policiais.
No conteúdo da mensagem, o autor inicia com insultos racistas e direciona ofensas à atuação política da parlamentar. Em um dos trechos, afirma: “Você vai pagar, sua negra vagabunda”. Ao longo do texto, o agressor também questiona a atuação de Dartora na defesa de direitos humanos e de minorias.
O e-mail contém ainda ameaças explícitas de violência sexual. Em determinado momento, o autor declara: “Vou comprar uma passagem só de ida para a sua cidade. Vou te encontrar e fazer você pagar por cada palavra de merda que você já disse”. Na sequência, descreve atos de violência sexual e tortura, detalhando agressões físicas que culminariam em assassinato.
Ofícios a autoridades e instituições
Após receber a mensagem, Carol Dartora encaminhou sete ofícios formais a órgãos de investigação, autoridades institucionais e instâncias da Câmara dos Deputados solicitando providências imediatas.
Entre os destinatários estão a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República, a Polícia Legislativa da Câmara, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça, a liderança do PT na Câmara, a Presidência da Câmara dos Deputados e a Secretaria da Mulher da Câmara.
Nos documentos, a deputada solicita a abertura de investigação policial, a realização de perícia digital sobre a mensagem e a adoção de medidas protetivas. Também foi requerido o acionamento de mecanismos de cooperação jurídica internacional para identificação do responsável, já que o e-mail foi enviado por meio de um provedor de correio eletrônico estrangeiro com sistema de criptografia, cuja obtenção de dados depende de procedimentos formais entre autoridades brasileiras e o país onde a empresa está sediada.
Solicitação de proteção institucional
Nos ofícios encaminhados à Presidência da Câmara e à Polícia Legislativa, Dartora solicita avaliação de risco e medidas de segurança para garantir sua integridade física e o exercício do mandato.
Entre as providências sugeridas estão reforço de segurança no gabinete parlamentar, eventual escolta em deslocamentos em Brasília, monitoramento de ameaças digitais e articulação com órgãos federais de segurança.
A parlamentar afirma que as ameaças indicam possibilidade concreta de execução, uma vez que o autor declara a intenção de viajar até sua cidade para cometer os crimes descritos.
Possível padrão de ameaças contra parlamentares
Nos documentos enviados às autoridades, Dartora também menciona episódio semelhante ocorrido com a deputada estadual Lívia Duarte (Psol-PA) na terça-feira, 4 de fevereiro de 2025. Na ocasião, a parlamentar paraense recebeu mensagem com ameaças de morte assinada pelo mesmo nome utilizado no e-mail enviado à deputada federal.
Segundo a análise apresentada nos ofícios, os dois casos apresentam características semelhantes: vítimas mulheres negras, parlamentares de partidos de esquerda e com atuação em defesa de direitos humanos e de populações vulneráveis.
A deputada afirma que a repetição do nome do remetente, o conteúdo das mensagens e o perfil das vítimas podem indicar um padrão de ataques direcionados a mulheres negras que ocupam cargos parlamentares.
Crimes apontados
Nos documentos encaminhados às autoridades, a deputada aponta que o episódio pode configurar diversos crimes previstos na legislação brasileira, incluindo ciberterrorismo, injúria racial, injúria de gênero, ameaça qualificada de morte, ameaça de estupro, violência política de gênero e incitação ao extermínio da população LGBTQIA+.
Dartora também solicita prioridade na investigação e adoção de medidas urgentes para identificação do responsável pelas mensagens, além de proteção institucional para garantir sua segurança e o exercício do mandato parlamentar.


