Desistências de Kim e Serra em São Paulo favorecem Tarcísio, diz Altamiro Borges
Jornalista vê recuos como movimentos para tentar evitar segundo turno contra Haddad
247 - As desistências de Kim Kataguiri e Paulo Serra da disputa pelo governo de São Paulo favorecem diretamente o projeto de reeleição de Tarcísio de Freitas e podem fazer parte de uma estratégia para tentar resolver a eleição ainda no primeiro turno, avaliou o jornalista Altamiro Borges no Giro das Onze desta segunda-feira (22).
As informações são do Giro das Onze, da TV 247. Durante o programa, Altamiro Borges afirmou que os recuos de Kataguiri e Serra já eram esperados, especialmente no caso do deputado ligado ao MBL, que deve priorizar a eleição proporcional e a consolidação do partido Missão.
“Eu acho que isso já era meio bola cantada. No caso do Kim Kataguiri, o Kim Kataguiri não ia entregar um mandato garantido de deputado federal, uma votação bombástica, podendo inclusive eleger mais gente na chapa dele”, disse Altamiro Borges.
Segundo ele, Kataguiri tem mais interesse em preservar sua força eleitoral na Câmara e ajudar a construir uma bancada do novo partido do que arriscar uma candidatura majoritária ao Palácio dos Bandeirantes. “Agora ele está num partido próprio, está no Missão, que é o partido do MBL. Ele não ia largar um mandato garantido”, afirmou.
Altamiro lembrou que Kataguiri foi um dos deputados federais mais votados em 2022 e pode usar sua votação para fortalecer a legenda. “Ele foi, eu acho que o quarto ou quinto mais votado na eleição de 2022, podendo eleger mais dois, três deputados pelo Missão, tentando garantir então que esse partido se consolide no cenário nacional”, declarou.
Na avaliação do jornalista, a pré-candidatura ao governo paulista também funcionou como instrumento de exposição pública. “Ele foi levando a candidatura até como forma de estar sempre na mídia, de adquirir visibilidade”, disse.
Movimento ajuda Tarcísio
Altamiro Borges afirmou que a retirada de Kim Kataguiri e Paulo Serra da disputa reduz a dispersão de votos no campo da direita e beneficia Tarcísio de Freitas. Para ele, o governador trabalha com o objetivo de evitar um segundo turno contra Fernando Haddad.
“Isso evidentemente faz o jogo do Tarcísio”, afirmou. “Faz o jogo do Tarcísio para ver se o esforço do Tarcísio é tentar eliminar, resolver a eleição em São Paulo no primeiro turno”, completou.
Segundo Altamiro, o cenário pode antecipar a polarização já na primeira etapa da eleição. “No primeiro turno você vai ter agora duas candidaturas fortes. Então você pode antecipar o segundo turno, pode antecipar o segundo turno já para resolver no primeiro”, avaliou.
O jornalista disse ainda que a movimentação pode ter sido negociada politicamente. “Pode ter sido um jogo combinado. Favorece a candidatura do Kim Kataguiri no Legislativo, no proporcional, favorece o projeto do partido dele, dessa extrema direita, do Missão, e favorece o Tarcísio de Freitas para tentar resolver a eleição no primeiro turno”, afirmou.
Para Altamiro, no entanto, a estratégia não garante vitória fácil ao governador. “O Tarcísio de Freitas está achando que está com a bola toda para a eleição aqui em São Paulo”, disse.
Blindagem midiática e apoio das elites
Altamiro Borges também criticou o que classificou como blindagem da mídia ao governo Tarcísio. Segundo ele, o governador paulista foi tratado de forma favorável por setores da imprensa durante os últimos anos, em razão de seu perfil privatista e neoliberal.
“Ele sabe que contou nesses três anos e meio com uma fortíssima blindagem da mídia. A mídia gosta muito do Tarcísio de Freitas. Ele é um privatista de primeira, é um neoliberal de primeira. A mídia monopolista gosta muito dele”, afirmou.
Na avaliação do jornalista, essa proteção impediu que problemas da administração estadual tivessem maior repercussão. “Blindou totalmente. É impressionante. Não tinha denúncia contra o Tarcísio de Freitas. É como se o governo de São Paulo fosse uma maravilha, não tivesse problemas administrativos, não tivesse problemas éticos de corrupção”, disse.
Altamiro também afirmou que a Assembleia Legislativa de São Paulo não exerceu fiscalização efetiva sobre o governo estadual. “A Alesp virou um puxadinho do Palácio dos Bandeirantes. Não teve CPI, não tem investigação de nada sobre o governo estadual”, declarou.
Campanha pode expor gestão Tarcísio
Apesar da vantagem institucional e midiática que atribui a Tarcísio, Altamiro Borges avalia que a campanha eleitoral pode abrir espaço para críticas mais diretas ao governo paulista, especialmente no rádio e na televisão.
“Agora ele tem, o governo dele é muito ruim quando você vai para dados. E a campanha eleitoral, isso é uma conquista democrática, permite o espaço de rádio e televisão”, afirmou.
Segundo ele, Fernando Haddad terá condições de explorar temas sensíveis da gestão estadual. “Na campanha isso vai poder ser demonstrado. O Haddad inclusive está com a língua afiada, está vindo para cima, está pegando ponto, já está sinalizando por onde vai pegar na campanha”, disse.
Altamiro citou áreas como segurança pública, educação, saúde, privatizações e pedágios como pontos vulneráveis do governo Tarcísio. “Na campanha isso que estava blindado vai quebrar. Você vem para a televisão, vem para o rádio para apresentar os péssimos dados na segurança pública, os péssimos dados de privatização na educação, os péssimos dados na saúde, a roubalheira dos pedágios”, afirmou.
O jornalista também criticou a política de concessões e benefícios fiscais do governo paulista. “São Paulo virou um estado de pedágio”, disse. “Os empresários gostam muito do Tarcísio porque é o reinado do privilégio fiscal”, acrescentou.
Haddad está preparado para a disputa, diz Altamiro
Altamiro Borges avaliou que Fernando Haddad chega fortalecido para o embate eleitoral em São Paulo. Segundo ele, o ex-prefeito da capital paulista e atual ministro da Fazenda tem experiência administrativa, dados econômicos a apresentar e condições de confrontar Tarcísio no debate político.
“O Haddad está afiado, está preparado para a batalha eleitoral”, afirmou. “Ele está vindo com muitos dados sobre a gestão Tarcísio, a desgraça que significa a gestão Tarcísio em São Paulo”, disse.
Para Altamiro, Haddad deve explorar tanto a agenda estadual quanto a ligação de Tarcísio com o bolsonarismo. “A crítica inclusive ao Tarcísio de apoiar o golpismo. Tarcísio é um golpista, é um bolsonarista, o homem que vai nas manifestações para anistia de golpista”, afirmou.
O jornalista disse que Haddad pode associar Tarcísio à defesa de setores que prejudicaram interesses econômicos brasileiros. “O Haddad vai para cima dizendo: ‘Você está defendendo traidor da pátria’. É isso. Você está defendendo quem queria prejudicar o agronegócio de São Paulo e prejudicou o agronegócio de São Paulo”, declarou.
Altamiro também destacou o papel de Haddad no governo Lula, especialmente na área econômica. “Ele tem o trunfo de ter sido prefeito de São Paulo, mas ter sido ministro da Fazenda num governo que tem entregas, aumento do emprego, melhora da renda, isenção do imposto”, afirmou.
Segundo ele, Haddad poderá apresentar a política tributária do governo como contraponto às críticas da direita. “Eu sou o ministro que taxa os ricos. Vocês querem me chamar de Taxad? Eu taxo mesmo. Eu estou taxando os ricos. Eu isento para o povo trabalhador e taxo os ricos”, disse Altamiro, ao simular a linha de resposta que Haddad pode adotar.
Disputa segue aberta
Altamiro Borges afirmou que as pesquisas indicam força de Haddad na capital paulista e na região metropolitana, embora o interior ainda represente desafio para o campo progressista.
“As pesquisas indicam isso. O Haddad está bem situado na capital paulista, ele ganha do Tarcísio na capital paulista. Ele está bem situado na região metropolitana, também ganha do Tarcísio na região metropolitana”, afirmou.
O jornalista reconheceu que o interior paulista ainda é o ponto mais difícil para a candidatura de Haddad. “O problema está no interiorzão de São Paulo, mas aí tem campanha para ser feita”, disse.
Para Altamiro, as desistências de Kim Kataguiri e Paulo Serra podem ajudar Tarcísio, mas não definem a eleição. “Se o Kim Kataguiri e o Serra tentaram ajudar o Tarcísio com essa operação de agora, pode não ser o suficiente para o Tarcísio. Eles não vão entregar o que o Tarcísio quer”, avaliou.
Ao fim da análise sobre São Paulo, Altamiro reforçou que Kataguiri deve concentrar esforços na formação de uma bancada do Missão. “O Kim Cataguiri vai para a disputa proporcional, vai tentar eleger uma bancadinha do Missão”, disse.
Segundo ele, o partido busca se firmar no cenário nacional. “Missão é um partido recém-criado. É um partido da extrema direita brasileira. Eles estão tentando consolidar esse partido nessa eleição. Se não consolida, fica com mais dificuldade para as outras”, concluiu.



