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Digimais recebeu aporte do Grupo Record e tem R$ 2 bilhões em caixa

A injeção de recursos faz parte das negociações conduzidas com o Fundo Garantidor de Crédito

Edir Macedo (Foto: Alan Santos/PR/Divulgação)
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247 O banco Digimais, alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, recebeu um aporte financeiro do Grupo Record e mantém atualmente cerca de R$ 2 bilhões em caixa, em meio às negociações para sua venda ao BTG Pactual. As informações foram publicadas pela Folha de São Paulo.

O reforço de capital foi realizado pela Digimais Participações, empresa controlada pela B.A. Empreendimentos Participações, holding pertencente ao Grupo Record. O aporte foi composto por Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo próprio controlador e por recursos captados no mercado por meio desses títulos.

A injeção de recursos faz parte das negociações conduzidas com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para viabilizar a venda da instituição financeira. Pessoas ouvidas pelo jornal afirmam que um novo aporte poderá ser realizado pelo controlador caso as negociações com o BTG Pactual permaneçam indefinidas.

As duas instituições assinaram um acordo de intenção de compra em abril deste ano. No entanto, a conclusão da operação depende do cumprimento das regras estabelecidas pelo FGC para processos de recuperação de instituições financeiras.

Banco é investigado por supostas fraudes contábeis

Controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da RecordTV, o Digimais é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de manipular demonstrações financeiras para ocultar sua real situação patrimonial e transmitir uma aparência de solidez aos órgãos reguladores.

As investigações envolvem suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de informações falsas em relatórios financeiros e realização de operações de crédito proibidas pela legislação bancária, prática que busca evitar manipulações contábeis.

Um dos principais focos da apuração é a compra de precatórios — títulos decorrentes de decisões judiciais contra o poder público.

Na última terça-feira (23), a Operação Miragem cumpriu nove mandados de busca e apreensão contra diretores, conselheiros e empresas ligadas ao Digimais. A Justiça também determinou o bloqueio de bens de até R$ 670 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

BTG mantém interesse, mas aguarda processo competitivo

Após a deflagração da operação da Polícia Federal, o BTG Pactual informou ao mercado, em comunicado divulgado na quarta-feira (24), que não descarta prosseguir com a aquisição do Digimais.

Entretanto, o banco afirmou que a concretização do negócio continua condicionada à realização de um processo competitivo organizado pelo FGC e ao reconhecimento de sua proposta como vencedora — etapas que, segundo a instituição, ainda não ocorreram.

Uma regra recente do Fundo Garantidor de Crédito estabelece que operações de socorro a instituições financeiras devem ocorrer por meio de leilão, no qual vence a proposta que representar menor custo para o fundo. O objetivo é reduzir o impacto financeiro caso seja necessária uma intervenção para evitar a quebra de um banco.

Conforme pessoas ouvidas pela Folha, uma das exigências apresentadas pelo BTG é a realização de um aporte adicional por parte do controlador do Digimais.

Galípolo evita comentar caso específico

Questionado nesta quinta-feira (25) sobre o andamento do processo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou apenas que o leilão é conduzido pelo Fundo Garantidor de Crédito. O FGC, por sua vez, informou que não comenta casos específicos.

Ao ser perguntado sobre a capacidade operacional do Digimais após a operação da Polícia Federal, Galípolo também evitou comentar, ressaltando que o Banco Central não se manifesta sobre instituições supervisionadas individualmente.

Em declarações recentes, feitas após o escândalo envolvendo o Banco Master, Galípolo tem defendido que a liquidação de uma instituição financeira não deve ser encarada como punição criminal aos administradores. Segundo ele, esse tipo de medida busca preservar o sistema financeiro e proteger os correntistas, distinguindo a esfera criminal da atuação regulatória.

No caso do Banco Master, citado como exemplo, a liquidação extrajudicial só foi decretada pelo Banco Central em 17 de novembro do ano passado, quando a instituição controlada por Daniel Vorcaro já não possuía recursos suficientes para cumprir seus compromissos financeiros. Na ocasião, o banco tinha apenas R$ 4 milhões em caixa.

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