Direção nacional da Rede rebate Marina e amplia crise no partido
Ex-ministra do Meio-Ambiente decidiu permanecer na sigla, mas criticou atual direção
247 - A direção nacional da Rede Sustentabilidade reagiu à decisão de Marina Silva de permanecer no partido e disputar uma vaga ao Senado por São Paulo, contestando as críticas feitas pela ex-ministra sobre o funcionamento interno da legenda e rebatendo acusações de irregularidades e judicialização.
Em nota oficial, a direção da Rede Sustentabilidade afirmou ter recebido “com imensa decepção” a manifestação pública de Marina Silva, destacando que, em nenhum momento, sua permanência no partido foi questionada. O posicionamento ocorre após a ex-ministra anunciar que seguirá na sigla, mesmo diante de divergências com a atual condução partidária.
Segundo o comunicado, a direção reafirma que os princípios fundadores da legenda — como democracia participativa, pluralismo e justiça social — seguem preservados. O texto destaca ainda que a atual liderança foi eleita com 76% dos votos no 5º Congresso Nacional, refletindo, segundo a nota, a vontade majoritária da militância.
A direção também rebate críticas históricas envolvendo decisões políticas de Marina Silva. O documento relembra episódios como o apoio ao então candidato Aécio Neves em 2014 e o golpe contra ex-presidente Dilma Rousseff, apontando que essas posições ocorreram “contra a vontade da maioria” do partido.
No texto, a legenda critica o que classifica como tentativa de construir uma narrativa de “subtração antidemocrática” de seus valores. Para a direção, a presença do grupo ligado à ex-ministra nas instâncias partidárias demonstra que há espaço para divergência interna.
A nota também aborda a saída de parlamentares ligados a Marina, afirmando que essas decisões foram individuais e não resultado de perseguição ou sanções. Em relação às disputas judiciais, o documento acusa o grupo Rede Vive de promover uma “judicialização sistemática”, caracterizada como “lawfare”.
“A judicialização sistemática promovida pelo grupo Rede Vive caracteriza lawfare — o uso estratégico e abusivo do sistema judiciário como arma para perseguir, desgastar e eliminar inimigos políticos”, afirma a direção.
Ainda segundo o partido, não procede a afirmação de que o 5º Congresso Nacional tenha sido anulado pela Justiça. A direção sustenta que houve apenas decisões liminares pontuais, ainda em análise, e que a maioria das ações movidas — 254 ao todo — não teve êxito.
O documento ressalta que a atual direção tem fortalecido o partido, ampliando sua presença territorial, número de filiados e articulação com movimentos sociais. Também cita a incorporação de novas lideranças políticas como parte desse processo.
A legenda reafirma alinhamento com o campo democrático-popular, mencionando apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e articulação com partidos como PT, PSB, PDT, PV e PCdoB, além da federação com o PSOL.
A direção conclui convidando Marina Silva e seus aliados a participarem do debate interno pelos canais institucionais do partido, defendendo que divergências sejam tratadas dentro das regras estatutárias.
Contexto político
Marina Silva anunciou no sábado (4) que permanecerá na Rede Sustentabilidade e será candidata ao Senado por São Paulo. A ex-ministra afirmou que sua decisão busca reafirmar o compromisso com um campo democrático amplo.
“Decidi permanecer na Rede como uma forma de reafirmar meu compromisso com a construção de um campo democrático plural, diverso e dedicado a criar um novo ciclo de prosperidade, que seja capaz de promover justiça social, respeito à diversidade, à democracia e à sustentabilidade”, declarou.
Ela também indicou que atuará em articulação com outras forças políticas do campo progressista. “Mesmo permanecendo na Rede, estarei ao lado de candidaturas do campo democrático popular e sustentabilista nos mais diferentes partidos da frente Lula Presidente e Fernando Haddad governador de São Paulo”, afirmou.
Marina revelou ainda ter recebido convites de diversas legendas de esquerda, mas optou por permanecer na sigla que ajudou a fundar. Ao lançar sua pré-candidatura, agradeceu “pelos convites recebidos e pelos diálogos realizados com PT, PSB, PDT, PV, PCdoB e PSOL”.
A ex-ministra colocou seu nome à disposição para disputar uma vaga ao Senado dentro da federação liderada pelo PSOL. “Coloco, assim, meu nome à disposição do debate dentro do nosso campo político para representar a Federação liderada pelo PSOL, na segunda vaga para o Senado, ao lado de Simone Tebet, do PSB”, afirmou.


