Ditadura Militar matou JK, conclui Comissão de Mortos e Desaparecidos
Relatório contesta a conclusão da época de que Juscelino teria sido vítima de um acidente automobilístico
247 - A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), aprovou, na sexta-feira (29), o relatório que concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976.
A aprovação deu-se por votos da maioria das pessoas integrantes do colegiado. Foram seis votos favoráveis e uma abstenção. Com a aprovação das conclusões do relatório, a comissão deverá trabalhar para que a certidão de óbito do ex-presidente seja retificada, nos termos da Resolução CNJ 601/2024.
O documento contesta a conclusão da época de que Juscelino teria sido vítima de um acidente automobilístico. A relatora Maria Cecília Adão vem trabalhando no caso desde novembro de 2024. O relatório foi feito a partir de diversos elementos públicos, como um inquérito do Ministério Público Federal (MPF), de 2019.
“A premissa na qual muitos se baseavam para justificar o acidente como fatalidade, ou seja, a batida de um ônibus na traseira do veículo, jamais ocorreu”, afirmou, em nota, o Ministério Público Federal (MPF) sobre a principal conclusão do relatório.
Ainda segundo a procuradoria, embora a Comissão Nacional da Verdade tenha descartado a possibilidade de o acidente ter sido provocado, as Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo e de Minas Gerais, além da Comissão Municipal da cidade de São Paulo, defenderam a hipótese de que o ex-presidente teria sido vítima de um atentado político.
A morte de Juscelino Kubitschek sempre esteve cercada de controvérsias. Naquele domingo de agosto de 1976, o Opala em que o ex-presidente viajava, dirigido por seu amigo e motorista Geraldo Ribeiro, perdeu o controle na Via Dutra após ser atingido por uma carreta. O veículo atravessou o canteiro central e colidiu violentamente na pista contrária. Ribeiro também morreu.
As investigações conduzidas durante a ditadura concluíram que o carro de JK teria sido tocado por um ônibus da Viação Cometa durante uma ultrapassagem, provocando a perda de controle. Essa versão foi posteriormente respaldada por uma comissão externa da Câmara dos Deputados, em 2001, e pela Comissão Nacional da Verdade.
No entanto, outras investigações levantaram a hipótese de atentado político. Comissões da Verdade de São Paulo, Minas Gerais e do município de São Paulo apontaram inconsistências na tese do acidente e indicaram que o veículo poderia ter sido alvo de sabotagem mecânica, disparos ou até envenenamento do motorista.
O novo parecer da CEMDP utiliza como referência central um inquérito civil conduzido pelo MPF entre 2013 e 2019, considerado uma das investigações mais aprofundadas já realizadas sobre o caso. (Com informações da Agência Brasil).


