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Dona de produtora de Dark Horse já era alvo de investigações há quase 10 anos

Documentos da CGU revelam suspeitas antigas envolvendo ONG comandada por Karina Gama, hoje investigada por diferentes órgãos

Dark Horse e Karina Gama (Foto: Reprodução )
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247 - A empresária Karina Gama, responsável pela produtora associada ao filme Dark Horse, que pretende retratar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, já era alvo de investigações relacionadas ao uso de recursos públicos há quase dez anos. As informações foram reveladas inicialmente pelo The Intercept Brasil e confirmadas em reportagem da colunista Daniela Lima, do UOL, com base em documentos da Controladoria-Geral da União (CGU).

As apurações envolvem a atuação do Instituto Conhecer Brasil, organização comandada por Karina Gama, em contratos firmados com o Serviço Social da Indústria (Sesi). Os documentos apontam suspeitas que incluem superfaturamento e possíveis desvios de recursos, com registros que remontam a 2019.

Karina ampliou sua atuação junto a setores da direita política por meio de conexões religiosas e da proximidade com influenciadores e lideranças conservadoras. Nesse período, passou a firmar contratos milionários com órgãos públicos, mesmo diante da existência de processos e investigações relacionados às suas atividades.

Um dos principais pontos destacados pela CGU envolve a relação entre o Instituto Conhecer Brasil e empresas contratadas para executar projetos financiados com recursos públicos. Os auditores identificaram situações em que prestadoras de serviço mantinham vínculos ou compartilhavam endereços com a organização.

O relatório cita um caso relacionado à realização da 9ª Feira da Cidadania, no Pará. Conforme registrado pelos auditores, a empresa subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil para montar infraestrutura e realizar divulgação do evento possuía endereço praticamente idêntico ao da própria organização.

“Esta última empresa foi selecionada pelo Instituto Conhecer Brasil para montar a infraestrutura e realizar a divulgação da 9ª Feira da Cidadania - Pará. Com base em informação da Receita Federal do Brasil há relação entre as duas últimas empresas. Elas estão localizadas em endereços semelhantes. (...) Ou seja, o que diferencia os endereços das firmas é o número das salas”, registrou o auditor em documento publicado em 2021.

A reportagem também destaca que tanto o Instituto Conhecer Brasil quanto a produtora associada ao filme Dark Horse operam no mesmo endereço e compartilham infraestrutura tecnológica, incluindo elementos relacionados à presença digital das organizações.

Durante o governo Bolsonaro, as atividades empresariais de Karina Gama cresceram significativamente. Segundo o UOL, contratos que anteriormente movimentavam dezenas de milhões de reais passaram a envolver cifras ainda maiores. Entre eles está um acordo firmado com a Prefeitura de São Paulo, na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), para implantação de sinal público de internet. O contrato também passou a ser alvo de investigações sobre a efetiva entrega dos serviços previstos.

As atenções sobre Karina aumentaram após a divulgação de áudios e documentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse. A produção passou a ser associada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ampliando o interesse de órgãos de controle e investigação sobre os negócios ligados à empresária.

Os documentos da CGU mostram ainda que as irregularidades identificadas motivaram recomendações contrárias à celebração de novos contratos com a organização comandada por Karina.

“Diante do exposto, concluiu-se que as irregularidades apontadas nos exames realizados (...) comprometeram o acompanhamento e fiscalização dos objetos pactuados e não observaram o atraso na análise da prestação de contas dos Contratos de Patrocínios SESI-CN 034/2018 e 045/2018”, afirma o relatório.

O próprio Sesi adotou medidas para restringir novas parcerias. Conforme registrado em documento citado pela reportagem, a instituição decidiu interromper a celebração de novos contratos de patrocínio e reforçar os mecanismos de prestação de contas dos acordos já existentes.

“Na ocasião, no tocante aos patrocínios, duas foram as iniciativas imediatamente adotadas, por orientação da alta administração: a) cessar a celebração de novos patrocínios, tendo em vista que a celebração de tais negócios não se enquadrariam dentre as atribuições institucionais do Conselho; e b) imprimir maior robustez no processo de prestação de contas dos patrocínios que já estavam em andamento.”

Uma fonte da CGU ouvida pela coluna destacou que os relatórios de auditoria eram públicos e poderiam ter sido consultados por órgãos governamentais antes da celebração de novos contratos.

“Há pelo menos sete anos buscam reparação contra supostos danos provocados por empresas vinculadas a essa senhora, mas isso não impediu deputados de enviarem emendas para projetos capitaneados por ela, nem prefeituras de contratá-la”, afirmou o auditor.

Atualmente, as atividades de Karina Gama estão sob análise da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e do Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações seguem em andamento e deverão esclarecer se houve irregularidades nas operações e contratos associados à empresária e às organizações ligadas a ela.

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