Dono da Choquei é mantido em presídio de segurança máxima após operação da PF
Influenciador é investigado por participação em esquema de R$ 1,6 bilhão; defesa contesta prisão e pede soltura imediata
247 - O influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, permanece custodiado em uma unidade de segurança máxima em Goiás após ser preso no âmbito de uma investigação que apura movimentações ilegais de R$ 1,6 bilhão. As informações foram divulgadas pelo portal g1.
Raphael está detido no Núcleo Especial de Custódia do Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia. De acordo com a Polícia Penal, ele segue a rotina padrão do sistema prisional, com direito a quatro refeições diárias — café da manhã, almoço, jantar e ceia — além de duas horas de banho de sol por dia e até duas visitas mensais.
A prisão ocorreu no último dia 15, durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em nove estados. Segundo os investigadores, o influenciador teria atuado como operador de mídia de uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro e estelionato digital, utilizando sua visibilidade para promover atividades ilícitas e gerenciar a imagem do grupo.
De acordo com a apuração, o esquema envolveria apostas ilegais, rifas digitais, empresas de fachada, contas de terceiros e criptoativos para movimentar e ocultar recursos. No centro da estrutura investigada estaria o funkeiro Ryan Santana dos Santos, apontado como principal beneficiário econômico das operações.
Ainda conforme documentos judiciais, a atuação de Raphael incluiria a divulgação de conteúdos favoráveis ao artista, promoção de plataformas suspeitas e possível mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações. Outros influenciadores e produtores de conteúdo também foram presos, entre eles Chrys Dias, que possui milhões de seguidores nas redes sociais.
A investigação é um desdobramento de operações anteriores e ganhou força após a análise de dados extraídos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado. A partir desse material, a Polícia Federal identificou uma estrutura financeira paralela voltada à ocultação e reinserção de recursos no mercado formal.Transferido para o presídio na última sexta-feira (17), Raphael teve negado, em primeira instância, o pedido de revogação de sua prisão preventiva. Segundo o advogado Frederico Moreira, a decisão judicial apontou a necessidade de aguardar o avanço das investigações para evitar prejuízos ao processo.
A defesa também já havia protocolado um pedido de habeas corpus e avalia novas medidas judiciais. “Em primeira instância isso já está decidido. Vamos avaliar a viabilidade agora”, afirmou o advogado.
Outro ponto levantado pela investigação diz respeito a valores recebidos pelo influenciador. De acordo com os autos, Raphael teria recebido R$ 370 mil do cantor MC Ryan SP por serviços de publicidade. Parte desse montante, R$ 270 mil, foi identificada em movimentações entre 2024 e 2025, enquanto outros R$ 100 mil teriam origem desconhecida.
A defesa sustenta que os pagamentos são legítimos e fazem parte de práticas comuns no meio artístico. “O Raphael suspeita que seja um terceiro que tenha pago algo em favor do MC Ryan”, disse o advogado. Ele acrescentou: “O contratante fala que tem uma pessoa que está devendo a ele ou que também está participando do projeto artístico ou musical e que essa pessoa fará um ou outro pagamento para ajudar no custeio das despesas”.
Em nota, o advogado Pedro Paulo Medeiros informou que ingressou com habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em regime de plantão, solicitando a soltura imediata do influenciador. A defesa argumenta que a prisão é “tecnicamente injustificável”, destacando que as diligências já foram concluídas e que não há fundamentação individualizada para a manutenção da custódia.Os advogados também afirmam que a atividade de publicidade exercida por Raphael é legal e que continuarão adotando todas as medidas judiciais cabíveis para reverter a prisão.
O caso chama atenção pelo volume financeiro investigado e pelo uso de plataformas digitais e influenciadores na suposta engrenagem criminosa. A decisão sobre a permanência de Raphael Sousa Oliveira na prisão deve depender da análise dos recursos apresentados pela defesa e do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.


