Durigan diz que bancos públicos podem comprar ativos do BRB e descarta intervenção federal
Ministro afirma que Caixa e Banco do Brasil podem atuar no BRB, mas reforça que não há federalização nem ajuda direta
247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (1º) que não há previsão de intervenção federal no Banco de Brasília (BRB), mesmo com a possibilidade de bancos públicos participarem de operações envolvendo ativos da instituição. Segundo ele, a condução do tema cabe ao Banco Central e ao governo do Distrito Federal.
Durigan destacou que o Ministério da Fazenda atua apenas com suporte técnico e não conduz diretamente o processo. Ele enfatizou que eventuais medidas estruturais dependem das autoridades monetárias e locais.
O ministro explicou que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil podem adquirir ativos do BRB dentro das regras de mercado, como já ocorre entre instituições privadas. “Caixa e Banco do Brasil podem atuar com o BRB como funcionam os bancos privados. Então, podem comprar carteira, comprar, eventualmente, títulos. O Tesouro está dando OK para a cessão de operações para outros bancos, até para não ter prejuízo, mas o que não tem hoje é ajuda e intervenção federal no BRB ou no DF”, afirmou.
Ele ressaltou que a responsabilidade pela solução da situação permanece com o governo do Distrito Federal. “O governo do DF tem que conseguir lidar com a situação do BRB, e se, eventualmente, a gente escalar para uma situação de risco sistêmico, o próprio Banco Central tem que conduzir uma conversa com o governo federal”, disse.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de federalização do banco, Durigan rejeitou essa alternativa. “Não tem OK do Ministério da Fazenda para avançar nesse debate de federalização”, declarou.
Durante a entrevista, o ministro também abordou o cenário político e econômico relacionado às eleições de 2026, destacando a importância da estabilidade institucional para atrair investimentos. “Acho que 2026, inclusive para a estabilidade da economia, para quem olha a economia e fala, ‘pô, vou investir naquele país’, é importante que a gente tenha estabilidade institucional e respeito às regras do jogo”, afirmou.
Ele comparou o momento atual com o ciclo eleitoral anterior e apontou diferenças na condução econômica do país. “2026 é muito diferente de 2022, em razão do presidente Lula estar liberando o nosso governo agora, em razão da gente ter tido o ministro Haddad como ministro da economia, ministro da Fazenda do País durante três anos, e de ter mantido a equipe comigo à frente do ministério para esse momento de transição, em que a gente vai cumprir o nosso dever de resguardar as contas públicas, ao mesmo tempo em que a gente vai dar o exemplo de como a democracia é importante para o País”, completou.


